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Tempos estranhos: “Cristo parou em Éboli”, de Francesco Rosi, e o Brasil

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Gian Maria Volonté, no papel do exilado Carlo Levi, em O Cristo parou em Éboli, de Francesco Rosi

CAIO PLESSMANN*

 

Cristo parou em Éboli de Francesco Rosi, lançado em 1979 e exibido no Cineteatro Denoy de Oliveira na última segunda feira, 11/11/19, em uma projeção tecnicamente perfeita, é um mergulho no humanismo milenar da Itália e confirma a excelência da programação que é oferecida gratuitamente ao público naquele importante espaço cultural da União Municipal de Estudantes Secundaristas, na cidade de São Paulo.

 

Ali acontece a Mostra Permanente de Cinema Italiano, que chega agora à sua reta final, após todo um ano de encontros com clássicos memoráveis.

 

Cristo parou em Éboli toca fundo no público, que sai extasiado com o poder da arte. Adaptado do livro autobiográfico de Carlo Levi, escritor, médico, artista plástico e militante político antifascista, é protagonizado por Gian Maria Volonté no intrigante espaço cênico de Basilicata, sul da Itália (Eboli), e conduzido de forma impecável, sensível e contemplativa pelo cineasta, com música original de Piero Picioni. Vale citar que o filme também ganhou dois David di Donatello – de “Melhor Filme” e “Melhor Diretor” – e o Prêmio de Ouro do 11° Festival de Moscou.

 

O protagonista Carlo Levi (Volonté), ao analisar seus quadros, busca o sentido de sua vida e recorre à sua história pessoal para poder avançar em sua investigação. Volta à sua passagem por Éboli, na qualidade de exilado político, e contempla a si mesmo, para extrair a lógica da transformação que sofreu e resultou no homem que se tornara.

 

O filme caminha de forma intimista, convida à reflexão sob o signo da memória em um duplo registro: subtrai de forma enigmática a substância do título da obra, com a afirmação de que Jesus Cristo não havia passado por Éboli, e traz assim a ideia de que o personagem se dirige a um não lugar, ou antes a um local que resiste no tempo à cultura cristã, mas cria também, com essa subtração, uma contradição interna que chama a atenção para a sua resolução e, nessa dinâmica, vamos descobrindo, junto com o autor, com o personagem e seu drama, e com todo o público, a razão da obra.

 

Em Éboli, Carlo chega abalado. É alguém que, posicionado em sua própria visão de mundo, resultado de sua formação cultural, se distancia de tudo, das pretensões que teve, mas sobretudo das circunstâncias citadinas sob o regime fascista, para poder viver em paz e pouco a pouco retomar sua vida.

 

Carlo é, assim, uma espécie de anti-revoltado que, no entanto, vive em seu pacifismo a ideia de que a aceitação do destino não significa renúncia de si, mas sim o contrário: o exilado político, o personagem, se ampara na cultura científica e humanista que o constitui e faz disso a base de uma resiliência insuperável, onde se afirma um caminho de sobrevivência e a recuperação de suas forças, situação que o faz crescer na trama.

 

É difícil imaginar mais doçura de um autor, no caso de Rosi, ao retratar o fascismo que emergiu na Itália naquele período, o qual acompanhamos a partir de alguns discursos do Duce, dos ecos na população, e da própria gestão municipal fascista. Uma doçura critica, implacável e reveladora de todo o obscurantismo do regime, que se alimenta da ilusão, do provincianismo e da precariedade material daquelas paragens extraordinárias do sul da Itália, com seus ecos de antigas civilizações.

Nesse ambiente, a chave poética da obra vai se apresentando na trança imaginária entre personagem, autores (escritor e cineasta) e ideário crístico, ainda que este último se apresente muitas vezes de forma mundana, ou mesmo por ausência ou falseamento. É o desdobramento da aceitação sem renúncia que opera, na obra, a transformação da realidade e a renovação do significado do exílio.

 

Aos poucos, um novo Cristo vai nascendo, transformador, civilizado. Até onde isso estava nas entrelinhas da obra original é questão que não cabe nesta análise, mas o livro foi importante para levantar na Itália a discussão sobre o subdesenvolvimento do sul.

 

Algo semelhante ao que aconteceu no Brasil com o “Geopolítica da Fome”, de Josué de Castro, apesar das diferenças de construção e linguagem. Curiosamente, este último quase foi adaptado por Roberto Rosselini, o que também é sintomático.

 

Visto agora, tendo o fascismo como fator impregnado no subdesenvolvimento e como tema de fundo da obra, o filme se torna poderosa ferramenta de alusão ao momento atual brasileiro. O público, sem perceber, é alimentado pela ciência calma e vibrante de Carlo, resultado de sua fórmula vital cheia de civilidade e introspecção crítica, a qual impõe um calendário de dias contados ao autoritarismo e expressa uma estratégia de fortalecimento da vida.

 

O resultado é a elevação do público ao final da sessão. Radiografia poética de uma vitória sobre a loucura, a ignomínia e a maldade, luz contra o desalento e a depressão, o filme é antídoto contra a desfaçatez do nosso tempo, agora transmutada em “verdade” acima de tudo e de todos.

 

*Caio Plessmann é cineasta. Artigo publicado no jornal Hora do Povo

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