Merenda "seca" de São Paulo desrespeita parâmetros nutricionais

 

Nutricionistas aponta que bolachas e sucos artificiais fornecidos em escolas estaduais, além de não suprirem necessidades diárias dos alunos, são de baixa qualidade

 

Desde o começo do ano letivo, os alunos da Escola Estadual João Dória, no Itaim Paulista, extremo da zona leste de São Paulo (SP), procuram a Diretoria para saber por que, de um ano para o outro, deixaram de receber refeições completas por apenas bolachas, suco artificial e, eventualmente, uma maçã; a chamada merenda seca.

 

Já Bruno (Nome fictício) deu sorte. Desde o dia 7 de março passou a frequentar a Escola Estadual Lívio Xavier, também no Itaim Paulista. Antes, ele estudava na João Dória, localizada no mesmo bairro, mas um pouco mais próximo de sua casa. “Aqui é bem melhor. Ontem teve macarrão com sardinha, macarrão ao molho”, conta o jovem de 12 anos, que cursa a 6ª série do Ensino Fundamental. “Lá dava aquela bolachinha seca. Era muito ruim”, detalha.“Para o noturno é pior ainda. Simplesmente não tem mais merenda. Muita gente vem do trabalho e não tem nada para comer”, conta uma aluna de 13 anos, que prefere não se identificar.

 

A justificativa para a falta de alimentos na João Dória é de o contrato com as merendeiras acabou. Ou seja, há alimentos, mas não quem os prepare aos alunos. A mesma situação é denunciada em outras escolas. Um dos principais canais de denúncia tem sido o perfil no Instagram e no Facebook chamado Diário da Merenda, criados em agosto de 2015.

 

E.E. José Maria Matosinho, em Campinas; E.E. Hernani Furini, em Guarulhos; EE Julia Rios Athayde, em Sorocaba; E.E Bertha Corrêa e Castro Rocha, em Poá; E.E. Prof. Fidelino de Figueiredo, no Centro da capital paulista; foram algumas das escolas estaduais denunciadas pela página.

 

Nutrição

 

O fornecimento das merendas é de responsabilidade dos estados e municípios, mas segue diretrizes nacionais porque parte dos recursos vem da União, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Nelas está explícito que o cardápio da alimentação escolar deve suprir, no mínimo, 20% das necessidades nutricionais diárias dos alunos beneficiados.

 

Sendo assim, um adolescente de 13 anos demanda, por dia, aproximadamente 2300 calorias. Três bolachas de água e sal têm, em média, 96 calorias e um copo de 200 ml de suco artificial, 22 calorias. Isso corresponde a 5% das necessidades diárias de um jovem, ou seja, bem abaixo do recomendado pelo FNDE.

 

Para a nutricionista Camila Leonel Mendes de Abreu, especialista em Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de não entregar a quantidade mínima de nutrientes recomendada, aqueles que são fornecidos são de baixa qualidade, ou seja, ricos em açúcar.

 

Ela lembra que a ideia de fornecer a merenda para as crianças é nutri-las. “O ferro, por exemplo, ajuda na atenção, as proteínas ajudam no desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que estão em fase de crescimento, estão em fase de aprendizagem e isso tem que ser levado em consideração. A combinação de ômega 3 e outras gorduras insaturadas são fundamentais para o desenvolvimento cerebral”, afirma. “Um bom prato de arroz com feijão com legumes, verduras e proteínas magras faz isso muito bem”, sugere.

 

Para Janaína Maudonnet, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a merenda escolar ainda é vista como algo para “cobrir uma carência do aluno” e não como algo fundamental para seu desenvolvimento. “Eles têm direito à educação plena e se entende que isso inclui alimentação saudável e balanceada. Isso está nos tratados internacionais e é um direito humano e dos jovens”, afirma Janaína.

 

Segundo Volmer Áureo Pianca, representante do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo, os problemas são pontuais e estão relacionados à logística da distribuição dos alimentos que são armazenados todos em um único estoque e de lá são enviados para todo o estado. "Eu acho que cada escola deveria montar uma comissão com membros da comunidade e fazer suas compras”,  sugere.

 

À reportagem, em nota, a Secretaria Estadual de Educação rebateu. "Cabe destacar que a merenda é ofertada de forma descentralizada em 88% das cidades paulistas e nestes casos cabe aos municípios a adesão ao convênio com o Estado. Caso isto não ocorra, a Pasta assume inteiramente o serviço", informou, destacando que tem tomado a frente para solucionar eventuais problemas na oferta de merenda para alunos da rede estadual.

 

Alba Branca

 

Para a Secretaria, que reconheceu algumas dessas falhas na distribuição, os problemas são pontuais, em função do fim de convênios com prefeituras no interior ou de contratos de merendeiras terceirizadas.

 

No entanto, há suspeitas de que o problema esteja relacionado ao superfaturamento na compra de merendas, fato que foi denunciado pelo Ministério Público Estadual e a Polícia Civil na Operação Alba Branca, deflagrada em janeiro deste ano. A denúncia tem gerado diversas mobilizações de pais, professores e, principalmente, estudantes, que cobram respostas do governado Geraldo Alckmin (PSDB).

 

Um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de fraudes também está em curso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).Somente 24 dos 94 deputados assinaram o pedido. Para que seja aprovada são necessárias 32 assinaturas.

 

"O problema da merenda é sistêmico. Há um modelo de gestão da merenda que se centralizou e aí começou a questão dos contratos. A merenda perdeu em dois sentidos: ficou mais cara e perdeu a qualidade. Além do modelo, ficou claro que houve um desvio, e uma merenda que era para custar menos passou a custar mais por conta da propina, e de certa forma caiu a qualidade”, pontuou Maria Izabel Noronha, a Bebel, presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

 

Fonte: Gisele Brito e Camila Rodrigues da Silva do Brasil de Fato

 

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