Umberto D e o Plano Marshall.

29-5-16 Umberto D

 

CAIO PLESSMMAN*

 

A dor de Umberto Domênico Ferrari, o protagonista de Umberto D, 1952, de Vittorio De Sica é não conseguir forjar a própria individualidade, sua angustia é a da incapacidade de libertar-se de um modelo de vida dependente.

 

Apesar de inconsciente, autocensurado, o fenômeno da dependência estrutural ocorre no campo estético, filosófico, trabalhista, psicológico, social e, no filme mostra quão profundas já eram, àquele momento, as raízes da discórdia na sociedade italiana, e quão trabalhosa seria (e será ainda) a dinâmica de superação na qual a humanidade esta inserida. Por isso De Sica trabalhou exclusivamente com atores não profissionais, personagens do povo.

 

De fato visto desse modo a força do filme está nessa infraestrutura da dependência que ele cala e o seu drama numa espécie de profundidade dilacerante de suas elipses, nas questões que apesar de todo didatismo são sintomaticamente ocultadas: a desconexão da primeira parte do filme (com a presença da passeata e do protesto dos aposentados, em unidade) com a segunda (onde o protagonista se apresenta solitário e desarticulado); a ausência de maiores informações sobre Umberto Domênico como se a história de vida da pessoa fosse ínfima, devorada ou em vão para a caminhada até a reta final; e a cena que encerra o filme, onde o personagem parece seguir, sem opção, para a mendicância, brincando com seu cachorro, quando surgem as crianças sugerindo o destino difícil e o sentimento de futuro.

 

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Claro que todo um amplo rol de coisas puxam o tapete dos personagens e da Itália: as baixas aposentadorias, o desprestígio do ministério do trabalho, a repressão da polícia, a inflação, mas sobretudo as dificuldades econômicas e culturais daquele pós-guerra já amordaçado pela nova fase colonialista, onde despontou o programa de recuperação econômica chamado Plano Marshall.

 

Começava ali a nova fase de reformas sistêmicas em função das demandas do capital, ou melhor, dos credores (e não das necessidades populares) que acabaria por gerar o mecanismo do dólar como moeda única (sem lastro, garantido por força militar) que avassalou, desde o período mas sobretudo a partir dos anos 70 – e cada vez sob nova nomenclatura – os últimos 70 anos do planeta, fenômeno que agora parece estar com os dias contados.

 

Não é à toa que a intuição genial do cineasta situa parte importante do impasse na ideia de pedir esmola (o protagonista cheio de vergonha coloca seu cão pra realizar a função), ou seja o contexto onde se dissolve não só o capital próprio, mas o próprio valor diante da crise do trabalho.

 

É assim que a dependência estrutural lança sua força supressora sobre todos, bons e ruins, trazendo o cenário de desterro. Por isso que Umberto Domênico parece não saber nenhum ofício, não ter nenhuma alternativa que lhe ajude contra o desamparo de velho solitário a que se vê entregue. Fica a solidariedade com o animal, uma fórmula que funciona no filme e lembra Chaplin ou a própria dupla criança/ bicicleta de Ladrões, mas que também vale pra ilustrar esses casos comuns do Brasil contemporâneo onde se vê direto, nas ruas, muita gente sem rumo.

 

A própria lentidão da montagem a partir da metade do filme, que o autor quis usar como elemento ilustrativo, metáfora do seu personagem, parece incorporar-se à linguagem da obra suprimindo-se como dado específico, inexistindo como elemento adicional ou expressivo do conflito.

 

É como se a psicologia retardatária do velho Domênico estivesse definitivamente amalgamada à Itália que sai atordoada do fascismo e assiste, atônita, ao exército de ocupação norte-americano engravidar suas moças. Por tudo isso Umberto D é pra sempre um grito corajoso contra a desumanização das metrópoles e seus sistemas carcomidos na injustiça. O filme foi visto como o último dos neorrealistas. A rigor pouca coisa surgiu para acrescentar sobre esse cenário social de dependência estrutural que é recorrente.

 

 

* É diretor de cinema

 

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