Maestro Marcus Vinícius saúda o nascimento da Rádio Independência

5-8-16 Rádio Independência

MARCUS VINICIUS DE ANDRADE*

Ao longo das três últimas décadas do séc. XX, o espaço da cultura e da informação sofreu uma significativa transformação.  Até os anos 1970 havia uma nítida demarcação entre os agentes que produziam bens culturais (criadores em geral, editores de publicações, produtores de discos e filmes, etc.) e os agentes que apenas difundiam tais bens para o grande público, sendo este o caso das emissoras de rádio e TV e os veículos de comunicação como um todo. Grosso modo, tínhamos de um lado o segmento da produção e, de outro, o segmento da divulgação, da mídia propriamente dita, ambos nutrindo uma relação de interdependência, já que o primeiro necessitava ter quem difundisse os bens que produzia, enquanto o último precisava ter conteúdo cultural para abastecer suas programações.

A transformação que mencionamos ocorreu a partir dos anos 1970 (e principalmente nas décadas de 1980 e 1990), quando as linhas demarcatórias entre universo da produção/universo da mídia começaram a ser diluídas, especialmente na área da música. Foi quando as grandes corporações da mídia transformaram-se também em agentes de produção, criando suas próprias gravadoras e editoras musicais: com isso, não apenas passaram a ocupar a maior parte de suas programações com seus próprios discos, fechando as portas aos repertórios produzidos por terceiros, como também passaram a usar seu poder de fogo comunicativo para promover gratuitamente seus produtos em maciças campanhas publicitárias, tornando inviável a livre concorrência no sufocado mercado. No Brasil, o exemplo da rede Globo (com sua gravadora Som Livre) é notório, mas tem-se também que não há hoje nenhuma grande empresa de rádio ou TV que não possua sua produtora de discos e de eventos musicais, com as quais explora comercialmente negócios paralelos à sombra da concessão do serviço público de comunicação outorgada pelo Estado.

A contrapartida a essa tendência não se fez esperar e rapidamente as grandes produtoras de discos, filmes, etc., resolveram dar o troco e transformar-se também em empresas de mídia, constituindo canais de rádio e TV próprios em muitas partes do mundo, como é o caso da Warner, da Sony, da EMI, da Disney e muitas outras. Hoje, elas não apenas produzem, mas dão dimensão midiática aos títulos de seus catálogos. Ou seja: o produto já sai de fábrica junto com a propaganda garantida em todo o mundo.

Nas altas esferas negociais, não mais existem empresas de produção e mídia em separado. Agora tá tudo junto e misturado. E o fato é que, ao passarem a acumular as funções de produzir/divulgar, sendo simultaneamente empresas de produção e de mídia, o poder daquelas corporações se ampliou em muito: se até há poucos anos elas já eram monopólios em suas áreas respectivas, elas hoje constituem supermonopólios que detêm redobrado poder no ciclo de produção/consumo de bens culturais, por elas controlado mundialmente, em grande parte.

Diante desse quadro, o que podem fazer os produtores, divulgadores e defensores da cultura independente, da cultura que se deseja livre das injunções dos monopólios e do repetitivismo papagaio da mediocrização imposta pelos donos do dinheiro?

Em primeiro lugar, devem ter consciência de que a produção cultural diferenciada, livre e independente, só encontrará seu verdadeiro espaço junto a projetos de mídia igualmente diferenciados, livres e independentes. Sim, porque mesmo diversas rádios e emissoras ditas comunitárias e independentes muitas vezes nada mais fazem senão reproduzir os padrões do mainstream cultural, replicando o modelo midiático em vigor e, paradoxalmente, obrigando os dominados a assumirem o discurso dominante.  O mesmo fenômeno ocorre na própria Internet, um espaço em que, segundo estudos recentes, predominam por larga margem as escolhas determinadas pelas grandes corporações da indústria cultural global.

Quando começamos a Gravadora CPC-UMES, há cerca de pouco mais de quinze anos, tínhamos duas convicções em mente: primeiro, a de que só conseguiríamos demarcar e ocupar nosso espaço na produção fonográfica se fizéssemos opções claras pela excelência musical, pela brasilidade acima de tudo, pela não-subserviência aos ditames da mídia mercadológica e, principalmente, pelo respeito à música que o Povo brasileiro efetivamente merece; nossa segunda convicção era a de que, com raras exceções, não encontraríamos lugar dentro da mídia convencional que, emburrecida e emburrecente, tinha à frente dos cascos a cenoura posta pelos cifrões da dominação cultural, sendo portanto necessário que buscássemos novos parceiros na área da comunicação para que nossos propósitos pudessem florescer.

No momento em que as grandes corporações da produção e da mídia se fundem e confundem seus projetos para dominar a vontade cultural de povos e nações, a chegada da Rádio Independência traz novo alento à nossa luta. Ela nasce com os mesmos ideais da nossa Gravadora: liberdade, qualidade, autonomia e coragem de mostrar-se parte de um projeto para o Brasil. Somos vinhos da mesma pipa, cachaças do mesmo alambique, estamos no mesmo barco e no meio da mesma tempestade, que saberemos enfrentar e vencer por estarmos juntos.

*Diretor Artístico da Gravadora CPC-UMES (artigo publicado originalmente no jornal Hora do Povo)

 

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