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Cesar 2020 – “Os Miseráveis” versus Polanski: Prêmio francês em clima de guerra

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MARIA DO ROSÁRIO CAETANO

Nunca, na história do Cesar, prêmio atribuído anualmente, há 45 anos, aos melhores do cinema francês, se viu coisa igual. Nem quando Jean-Luc Godard aproveitou a consagração de “O Último Metrô”, de François Truffaut, seu ex-colega de ofício e amigo dos tempos de Nouvelle Vague, para esculhambar o filme, a Academia e o cinema francês daquele tempo (1980/81).

O que se vê neste momento — a Academia de Arte Cinematográfica Francesa entregará seus troféus na última sexta-feira deste mês, dia 28 de fevereiro — é muito grave e envolve muito mais que os desentendimentos dos dois maiores astros da Nouvelle Vague. O que está em jogo, este ano, é a vida artística (e pessoal) de Roman Polanski, judeu polonês nascido em Paris e cidadão francês, casado com uma francesa, a atriz Emmanuelle Seigneur, mãe de seus filhos. O que está em jogo é o comando da Academia, liderada pelo produtor Alain Terzian. O estado de beligerância é tal que todos os integrantes da diretoria já avisaram: entregarão seus cargos tão logo finde a Festa do Cesar. Renúncia em bloco.

Enquanto isto, movimentos feministas se articulam para “esculachar” Polanski, caso ele apareça em público, pois o veem como um “violador em série”. Dois anos atrás, o artista franco-polonês foi convidado a ser o presidente de honra da festa do Cesar. Não pôde comparecer, pois sua presença causaria tumultos imprevisíveis.

Em seguida viria mais uma (tardia) denúncia — seria “a décima-segunda” — de moça francesa (maior de 18 anos). Ela teria sido “violada” pelo diretor de “Repulsa ao Sexo”, um dos primeiros e grandes sucessos de Catherine Deneuve. Polanski, mais uma vez, via-se arremessado no olho do furacão. Cartazes carregados por jovens manifestantes usavam o nome do filme “J’Accuse” (no Brasil “O Oficial e o Espião”, com lançamento previsto para o próximo dia 12) para acusar o cineasta de “violador”. Uma das protestadoras chegou a pedir a morte do cineasta, hoje com 86 anos.

Neste momento em que “J’Accuse” concorre a 12 estatuetas (mesmo número de indicações do notável “Os Miseráveis”, do afro-francês Ladj Ly), a França entra em transe. Todos os dias, na imprensa, há notícias sobre o confronto. Parte do movimento feminista não dá trégua. Quer a derrota total do cineasta e de seu belo filme. A última ação do grupo foi um manifesto que jogou nitroglicerina na fogueira.

Quem viu os dois filmes — “J’ Accuse” e “Os Miseráveis” — só tem razões para acompanhar a noite do Cesar. Se Polanski ganhar (o que parece cada dia mais difícil), terá vencido o filme de narrativa clássica e complexa, de roteiro impecável, com elenco em rendimento máximo (Jean Dujardin está magnífico na pele do protagonista absoluto, Picquart, o oficial que desvendou as falhas do Exército francês, responsável pela acusação e condenação de Dreyfus ao degredo na Ilha do Diabo). Louis Garrel, que faz um Dreyfus meio calvo e arruinado pela tragédia de ser acusado de espião (um judeu-francês que teria passado segredos aos alemães), está também em grande desempenho (concorre a coadjuvante). Emmanuele Seigneur, Mathieu Amalric, Vicente Pérez, Mevil Poupaud, Olivier Gourmet, entre outros, completam o time de franceses desta superprodução de época (final do século XIX) que tinha tudo para ser falada em inglês, mas que um mutirão de produtores conseguiu — felizmente — manter na língua de Emile Zola (o autor de “Germinal” escreveu o manifesto, em defesa de Dreyfus, que sacudiu a França: “J´Accuse”).

Se os acadêmicos escolherem “Os Miseráveis” estarão consagrando a força renovadora do cinema francês, aquela que traz de ex-colônias magrebianas grandes artistas, do tamanho de Ladj Ly, que já em seu longa de estreia, causou sensação, encantou os críticos de todos os credos (dos católicos aos cinéfilos, dos centristas aos esquerdistas) e vendeu quase 2 milhões de ingressos com uma história ambientada em bairro pobre, habitado por “miseráveis” de origem africana e árabe. Num ano em que o Bafta, o maior prêmio da Inglaterra, indicou 20 atores e atrizes todos (todos!) brancos (o Oscar indicou 19), o Cesar se anuncia com poderosa presença afro. Pena que, com o affair Polanski, falte serenidade e equilíbrio para se dar a ênfase necessária a este ano número 45 do Cesar, tão promissor.

E que fique aqui um registro pessoal: sou feminista e luto pela conquista de direitos da mulher no trabalho, em todas as instâncias políticas (por poderosa representação nos Parlamentos, Executivos e Judiciários!), sociais, etc, etc. Mas fico perplexa (até indignada) em ver uma jovem feminista carregando um cartaz que pede a morte de Polanski. Não quero a morte nem de torturadores (sou contra a pena de morte). Que estes paguem no cárcere por seus crimes.

Quero que Polanski, um homem de 86 anos, viva ainda por muitos e muitos anos. E torço para que faça muitos e muitos filmes. Tarantino, retratou o marido de Sharon Tate em “Era Uma Vez… em Hollywood” em sua fase hollywoodiana. Como um diretor e ator que namorava uma jovem atriz texana, que desempenhava seus primeiros papeis. Polanski não autorizou, nem protestou contra aquele “reviver” nas telas, um “reviver” de tempos difíceis. Entendo que a vida já puniu o diretor de “A Faca na Água” com imenso rigor. Ele perdeu a família no gueto, vítima dos nazistas, perdeu a esposa (Sharon Tate) grávida do primeiro filho de ambos e vítima dos satanistas de Charles Mason. Se até a adolescente norte-americana com quem ele se relacionou (falta grave pela qual foi condenado nos EUA) o perdoou, por que cultivar tanto ódio contra ele? (Voltarei ao assunto).

OS INDICADOS AO CESAR:

Melhor filme/Melhor diretor:

. “J’Accuse” (O Oficial e o Espião”), de Roman Polanski

. “Os Miseráveis”, de Ladj Ly

. “Retrato de Uma Jovem em Chamas”, de Céline Sciamma

. “Graças a Deus”, de François Ozon

. “La Belle Époque”, de Nicolas Bedos

. “Roubaix, Une Lumière”, de Arnaud Deplechin

. “Hors Normes”, de Eric Toledano & Olivier Nakache

. Melhor documentário:

. “A Cordilheira dos Sonhos”, de Patricio Guzmán

. “68, Mon Père et Le Clous”, de Samuel Bigiaoui

. “Lourdes”, de Thierry Demaizière e Alban Teurlai

. “M”, de Yolande Zauberman

. “Wonder Boy Olivier Rousteing, Né Sous X”, de Anissa Bonnefont

. Melhor animação:

. “Perdi Meu Corpo”, de Jerémy Chaplin,

. “Les Hirondelles de Kaboul”, de Breitman & Mevellec

. “La Fameuse Invasion des Ours em Sicile”, de Lorenzo Mattotti.

. Melhor filme de diretor estreante:

. “Os Miseráveis”, de Ladj Ly

. “Atlantique”, de Mati Diop

. “Papicha”, de Monia Meddour

. “Le Chant du Loup, de Antonin Baudry

. “Au Mom de la Terre”, de Édouard Bergeon

. Melhor longa estrangeiro:

. “O Traidor”, de Marco Bellocchio (Itália-Brasil)

. “Parasita” (Coreia do Sul)

. “Dor e Glória” (Espanha)

. “O Jovem Ahmed” (Bélgica)

. “Lola Vers la Mer”, de Laurent Micheli (Bélgica)

. “Coringa” (EUA)

. “Era Uma Vez… em Hollywood” (EUA)

. Melhor atriz:

. Eva Green (Proxima)

. Adèle Haenel (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Noémie Merlant (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Chiara Mastroianni (Chambre 12)

. Karin Viard (Chanson Douce)

. Doria Tillier (La Belle Époque)

. Melhor ator:

. Jean Dujardin (J’Accuse)

. Damien Bonnard (Os Miseráveis)

. Daniel Auteuil (La Belle Époque)

. Vincent Cassel (Hors Normes)

. Reda Kateb (Hors Normes)

. Mevil Poupaud (Graças a Deus)

. Roschdy Zem (Roubaix, Une Lumière)

Melhor atriz coadjuvante:

. Fanny Ardant (La Belle Époque)

. Josiane Balasko (Graças a Deus)

. Laure Ccalamy (Seules les Bêtes)

. Sara Forestier (Roubaix, Une Lumière)

. Hélène Vincent (Hors Normes)

Melhor ator coadjuvante:

. Louis Garrel (J’Accuse)

. Gregory Gadebois (J’Accuse)

. Denis Ménochet (Graças a Deus)

. Swann Arlaud (Graças a Deus)

. Benjamin Lavernhe (Mon Inconnue)

. Melhor “espoir” (promessa) feminina:

. Mama Sané (Atlantique)

. Lyna Khoudri (Papicha)

. Luàna Bajrami (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Nina Meurisse (Camile)

. Céleste Brunnquell (Les Éblouis)

. Melhor “espoir” (promessa) masculina:

. Djebril Zonga (Os Miseráveis)

. Alexis Manenti (Os Miseráveis)

. Anthony Bajon (Au Nom de la Terre)

. Liam Pierron (La Vie Escolaire)

. Benjamin Lesieur (Hors Normes)

. Melhor roteiro original:

. Ladj Ly, G. Gederlini e A. Manenti (Os Miseráveis)

. Céline Sciamma (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. François Ozon (Graças a Deus)

. Nicolas Bedos (La Belle Époque)

. Toledano & Nakache (Hors Normes)

. Melhor roteiro adaptado:

. Polanski e Robert Harris (J’Accuse)

. Costa-Gavras (Adults in the Room)

. Jéremy Chaplin e G. Laurant (Perdi Meu Corpo)

. Arnaud Deplechin e Léa Mysius (Roubaix, Une Lumière)

. Dominik Moll e G. Marchant (Seules les Bêtes)

. Melhor fotografia:

. Pawel Edelman (J’Accuse)

. Julien Poupard (Os Miseráveis)

. Claire Mathon (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Irina Lubtchansky (Roubaix, Une Lumiére)

. Nicolas Bolduc (La Belle Époque)

. Melhor montagem:

. Hervé de Luze (J’Accuse)

. Flora Volpelière (Os Miseráveis)

. Laure Gardette (Graças a Deus)

. D. Rigal-Anous (Hors Normes)

. Danché & Vassault (La Belle Époque)

Melhor Música Original:

. Alexandre Desplat (J’Accuse)

. Fatima Al Qadri (Atlantique)

. Dan Lévy (Perdi Meu Corpo)

. Casanova e Chapiron/Grupo Pink Noise (Os Miseráveis)

. Gregoire Hetzel (Roubaix, Une Lumière)

. Melhor figurino:

. Pascaline Chavanne (J’Accuse)

. Dorothée Giraud (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Alexandra Charles (Jeanne)

. Thierry Delettre (Edmond)

. Emmanuele Youchnovski (La Belle Époque)

. Melhor direção de arte:

. Jean Rabasse (J’Accuse)

. Thomas Grézaud (Retrato de Uma Jovem em Chamas)

. Franck Schwarz (Edmond)

. Stéphane Rozembaum (La Belle Époque)

. Benoît Barouh (Le Chant du Loup)

. Melhor filme do público:

. “Qu’est-ce Qu’on Faire au Bon Dieu?”, de Philippe de Chauveron (1.710.000 ingressos)

. “Estaremos Sempre Juntos”, de Guillaume Canet (2.790.000)

. “Hors Normes”, de Toledano & Nakache (2.090.000)

. “Os Miseráveis”, de Ladj Ly (1.970.000)

. “Au Nom de la Terre”, de Edouard Bergeon (1.960.000)

. “La Vie Escolaire de Grand Corps Malade”, de Mehdi Idir (1.800.000)

. “Nicky Larson et le Parfum de Cupidon”, de Philippe Lacheau (1.680.000)

(Publicado originalmente em Almanakito da Rosário; reproduzido com permissão da autora.)

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