30º Congresso da UMES reafirma luta contra o entreguismo: Educação é Soberania!

Mais de 900 jovens participaram do evento que elegeu nova diretoria e definiu como prioridade o enfrentamento ao governo Tarcísio, à precarização das escolas e ao avanço do bolsonarismo. Nova presidente convoca:  temos a missão de “derrotar o fascismo nas urnas”

Mais de 900 estudantes de toda a cidade de São Paulo se reuniram nesta quarta-feira (1º) no 30º Congresso da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES). Com o tema “Educação é Soberania: o Império não dita o nosso país”, o Congresso reafirmou o papel histórico dos estudantes brasileiros que, em diversos momentos, estiveram na linha de frente na defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo.

A discussão do Congresso aparece em um momento decisivo para a educação pública em São Paulo. Nos últimos meses, os estudantes têm assistido a repetidos ataques à escola pública pelo governo Tarcísio de Freitas, como tentativas de privatização e militarização das escolas, cortes no orçamento da educação, imposição de plataformas educacionais que desrespeitam a autonomia pedagógica e a desvalorização dos professores.

Para a entidade, essas medidas representam um imenso retrocesso nos direitos básicos que deveriam ser assegurados para os estudantes.

A mesa de abertura contou com a participação de Valentina Macedo, presidente da entidade, o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) Hugo Silva, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Bianca Borges, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), o deputado estadual Guilherme Cortez (Psol), o vereador da cidade de São Paulo Hélio Rodrigues (PT), o vereador da cidade de Araraquara Guilherme Bianco (PCdoB).

O ato político contou ainda com a presidente da Federação das Mulheres Paulistas (FMP) Keila Pereira, o presidente do Sindicato dos Diretores do estado de São Paulo (Udemo) Chico Poli, o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) Ubiratan Dantas (Bira), o presidente em exercício do Sindicato dos Professores (Apeoesp) Guido Pereira e o secretário-geral do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) Marcos Kauê.

Valentina Macedo – Foto: César Ogata

Valentina Macedo: “a bandeira verde e amarela sempre esteve à frente da nossa luta”

Valentina Macedo fez um balanço sobre a gestão e afirmou que os estudantes defenderam a educação a todo o momento. “Esse congresso já é uma grande vitória com diversos estudantes vestindo verde e amarelo e eu acho que isso reflete um pouco do que foi a nossa luta nessa última gestão. A gente entra no auge do governo Tarcisio e Feder e também começamos a enfrentar os principais ataques deles contra a educação”, disse.

“Creio que a defesa da soberania nacional do nosso país não ficou para trás, pelo contrário, a gente se manteve firme na nossa posição de enfrentar os inimigos da educação e do Brasil. Então, a bandeira verde e amarela, a bandeira do nosso país sempre esteve à frente da nossa luta. No ano passado nós saímos em manifestação, inclusive a gente puxou no 11 de agosto, a defesa da soberania nacional, levantando o verde e amarelo também. E eu acho que chegamos agora nesse momento de coroamento da gestão com um ciclo muito vitorioso, tendo em vista que conseguimos travar diversas batalhas”, afirmou Valentina.

Luna Martins, nova presidente da UMES – Foto: César Ogata

Luna Martins: “derrotar o fascismo nas urnas”

A estudante da Etec Santa Ifigênia Luna Martins, que foi diretora de escolas técnicas da última gestão, foi eleita presidente da entidade para os próximos dois anos. Em entrevista, Luna fez um balanço do congresso e apontou os rumos da próxima gestão da UMES.

“A última gestão foi marcada por uma intensa luta, principalmente contra a precarização da escola estadual. Nós iniciamos a gestão com uma PEC que ia cortar mais de R$ 11 bilhões da educação a UMES os estudantes de São Paulo se mobilizaram conseguiram adiar isso e logo depois a gente fez intensas mobilizações a favor do ensino técnico e contra a precarização das escolas. Dessa mesma forma, ocorreu também uma forte luta contra o imperialismo e contra a ameaça estadunidense, com os estudantes indo às ruas tanto se mobilizando contra os tarifaços de Trump, mas também do fascismo aqui no país como a PEC da blindagem em diversas coisas. E o 30º Congresso da UMES foi muito marcado por isso, principalmente com a juventude reclamando e fazendo uma denuncia sobre a situação atual das nossas escolas”, disse.

“E agora, nesta próxima gestão como presidente da entidade, os próximos passos que necessitamos fazer é derrotar o fascismo nas urnas, sendo a ameaça que é Flávio Bolsonaro aos estudantes, ao nosso país e à soberania nacional principalmente, mas também, fazer uma intensa luta contra a precarização das escolas do governo Tarcísio, que agora está querendo implementar plataformas digitais goela abaixo dos estudantes e continuando o seu plano de precarização, para depois privatizar e a juventude nesse 30° Congresso da UMES decidiu que a gente não vai tolerar nenhum tipo de ataque, nenhum tipo de privatização e que nós temos a tarefa de denunciar nas ruas e nas urnas o plano de Tarcísio”, afirmou Luna, a nova presidente da UMES.

Deputado Orlando Silva – Foto: César Ogata

Orlando Silva: “amar e mudar as coisas também é amar o Brasil”

O deputado Orlando Silva saudou o Congresso e falou sobre a importância do movimento estudantil acerca do aprendizado político.

“Esse espaço é muito importante para a formação, porque seja no Grêmio estudantil, ou na UMES, é quando a gente aprende as primeiras letras como se fosse uma alfabetização da política. Antes de ser deputado, foram nesses espaços que eu comecei a ter o acesso a política como cada um de vocês”, disse.

O deputado também falou sobre a defesa da soberania. “Eu queria falar a última coisa pra vocês: Amar e mudar as coisas também é amar o Brasil. Nós temos que amar o nosso país, a nossa pátria, a nossa nação”, continuou.

Presidente da UNE, Bianca Borges – Foto: César Ogata

Bianca Borges: “vamos à luta para acabar com essa lesa pátria”

A presidente da UNE, Bianca Borges, em sua fala, destacou que “os estudantes que estão aqui querem estar na universidade. Dessa mesma forma, nossa geração com movimento estudantil em São Paulo entendem esse desafios para a luta e por isso estão construindo uma ampla frente para combater Ricardo Nunes (MDB) e Tarcísio de Freitas e todo o conservadorismo que aflige este estado. Tem muita gente que vende o sonho patriótico, mas é o sonho do entreguismo, do descaso, vamos à luta para acabar com essa lesa pátria”, afirmou a estudante e presidente da UNE.

Presidente da UBES, Hugo Silva – Foto: César Ogata

Hugo Silva: “nós fomos a galera que derrubou o Bolsonaro e colocou ele atrás das grades”

Hugo Silva da UBES afirmou em sua fala que os estudantes de São Paulo estão organizando a sua rebeldia para transformar esse lugar porque essa galera que está no poder, como o Ricardo Nunes, o Tarcísio de Freitas e o bolsonarismo apresentam como única perspectiva da nossa vida o subemprego, a fome, o não ingresso na universidade, uma escola caindo aos pedaços. “É essa rebeldia expressa no plenário aqui hoje, que faz com que a gente transforme essa realidade”, disse.

“Nós fomos a galera que derrubou o Bolsonaro e colocou ele atrás das grades! E será essa mesma geração que vai botar Tarcísio de Freitas, Nunes e Flávio Bolsonaro pra bater continência pra bandeira americana bem longe daqui, porque os patriotas que honram o verde e amarelo desta camisa estão aqui neste plenário hoje. Não vamos abaixar a cabeça para nenhum inimigo da educação”, afirmou.

Deputado Guilherme Cortez – Foto: César Ogata

Guilherme Cortez: “vocês são a geração que vai derrubar o pior governo da história de São Paulo”

O deputado Guilherme Cortez afirmou que é preciso derrubar o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defender o país. “Vocês sabem que não tem nada que os poderosos tenham mais medo do que estudante pensando e estudante se organizando nos espaços, porque quando a gente confia e aprende a força que a gente tem, a gente derruba qualquer um deles. E vocês são a geração que vai derrubar o pior governo da história de São Paulo”, disse.

“Esse ano a gente tem que enterrar o bolsonarismo e Tarcísio de Freitas e mandar para onde não deveriam ter saído. Eu tenho a absoluta certeza que nós não vamos ser a geração que vai ver o fim do mundo. Nós vamos ser a geração que vai fundar o mundo novo! Um mundo muito melhor do que esse decadente que vivemos. Um mundo sem misoginia, um mundo sem racismo, um mundo lgbtfobia, um mundo em que a vida vale a pena ser vivida. E nesse mundo, a educação tem que ter muito mais investimento, tem que ter prioridade, porque a educação transforma a nossa mente e transforma a nossa vida”, afirmou.[]

Vereador Hélio Rodrigues – Foto: César Ogata

Hélio Rodrigues: “precisamos retirar do estado de São Paulo esse governo privatista”

O vereador Helio Rodrigues (PT) afirmou que “esse ano nós precisamos retirar do estado de São Paulo esse governo, que é o governo privatista. Na cidade de São Paulo, nós continuaremos enfrentando essa prefeitura, que é o desgoverno de Nunes, que quer acabar com a educação do município”, disse.

Guido da Apeoesp – Foto: César Ogata

Guido: “nós professores lutaremos junto aos estudantes para derrotar Tarcísio e Bolsonaro do nosso país”

“O governo Tarcísio cortou R$ 11 Bilhões da educação e não merece ser eleito. Tarcísio não tem o mínimo de compromisso com essa juventude, com o povo paulista. É preciso lutar pela educação, nós professores lutaremos junto aos estudantes para derrotar Tarcísio e Bolsonaro do nosso país”, afirmou o professor Guido.

Keila Pereira da FMP – Foto: César Ogata

Keila Pereira: “é fundamental a luta das mulheres contra os desmandos na educação e no país”

Keila Pereira falou na abertura que “é fundamental a luta das mulheres contra os desmandos na educação e no país, porque sem educação de qualidade, sem garantir igualdade de oportunidade para todas as pessoas, especialmente para as meninas para garantir a igualdade de gênero. Eu sei que essa luta está sendo travada por cada um aqui neste congresso”, disse.

Chico Poli, da UDEMO – Foto: César Ogata

Chico Poli: “a esperança está nos estudantes, em vocês que se rebelam contra tudo isso”

“A educação hoje no Estado de São Paulo depende muito de vocês estudantes que estão aqui no congresso. Vocês são a esperança para mudar esse país, pois nós que somos professores e diretores estamos em condições muito ruins de trabalhar, sendo coagidos, perseguidos e ameaçados. A esperança está nos estudantes, em vocês que se rebelam contra tudo isso”, afirmou Chico Poli da Udemo.

Bira, vice-presidente da CTB – Foto: César Ogata

Bira: “defender a soberania das nações e derrubar o fascismo”

“Nós temos que defender a soberania das nações e derrubar o fascismo, é preciso um governo também que realize investimentos no país, que derrube as taxas de juros, aumentar o investimento público, para ter mais dinheiro para a educação para que nenhum jovem fique fora da escola”, concluiu Bira da CTB.

Guilherme Bianco – – Foto: César Ogata

Guilherme Bianco: “retomar para as nossas mãos as cores do Brasil”

O vereador Guilherme Bianco afirmou na abertura que é preciso defender o Brasil. “Os estudantes hoje aqui neste congresso estão vestindo as cores da bandeira do Brasil, os estudantes brasileiros retomaram com o debate e a luta da soberania, como a pauta central da nossa juventude. Há pouco tempo atrás, aqueles que diziam que eram os patriotas, aqueles que usavam a bandeira do Brasil para fazer campanha. Aqueles que se diziam amar o verde e amarelo na verdade pregavam o futuro de ódio, de violência e de pobreza pro povo brasileiro”, disse o vereador, que foi diretor da UMES-SP quando secundarista.

“E agora, a gente consegue dar um giro fundamental, retomar para as nossas mãos, para a mão do tempo popular e democrático, para a nova juventude, as cores do Brasil, as cores da nossa bandeira e dizer em alto e bom tom: Quem ama o povo brasileiro, quem ama o Brasil, quem ama a educação aqui está neste plenário, que é o nosso campo, porque nós somos patriotas e defendemos este país, não a corja bolsonarista”, afirmou o vereador.

Marcos Kauê – Foto: César Ogata

Marcos Kauê: “os verdadeiros patriotas que amam e lutam pela pátria”

“É com muita tranquilidade que eu queria dizer, se a UMES já escreveu tantas histórias, se a UMES já consolidou tantas lutas e conquistas, é aqui que estão os verdadeiros lutadores, os verdadeiros patriotas, que amam e lutam pela pátria, que vão defender a nossa soberania, que vai acabar de vez com o fascismo, que vai garantir a história sem racismo, um Brasil para os brasileiros, essa é a luta do CNAB”, disse Marcos Kauê em sua fala.

Valentina afirmou que os estudantes agora precisam “se manter firme em defesa da educação e do nosso país com uma grande frente ampla, democrática, erguendo novamente a bandeira, colocando o Brasil à frente das nossas lutas, em defesa da educação também, porque como diz o mote do nosso congresso, a educação é soberania e o império não dita e não ditará o Brasil. E se depender desses estudantes, dessa diretoria que está sendo eleita agora nesse congresso, eu tenho certeza que nenhum imperialista vai se criar aqui”, disse.

Bota Samba no Telão! 2ª edição da “Mostra Cinema e Samba – Vai no Bixiga Pra Ver”

É com muito orgulho que apresentamos a programação da 2ª Edição da “Mostra Cinema e Samba – Vai no Bixiga Pra Ver!”. Nesta edição, serão 10 filmes com diferentes vertentes do samba e seus incríveis personagens que serão apresentados na tela do  Cine-Teatro Denoy de Oliveira. A programação começa já neste sábado, dia 4 de abril, às 18h. 

A mostra, organizada pelo Centro Popular de Cultura da UMES de São Paulo (CPC-UMES), acontece no tradicional bairro do Bixiga, um dos berços do samba da capital paulista.

Samba, pagode, partido alto, chula, calango, marcha, batucada, pernada. Samba de breque, enredo, canção, de viola, raiado, corrido, rural, chorado, de roda, de terreiro, sincopado. O samba é tudo isso e um pouco mais, que retratamos mais uma vez na tela do Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na 2ª edição da Mostra ‘Cinema e Samba – Vai no Bixiga pra ver’.

Principal fenômeno cultural brasileiro, o samba é composto por diferentes estilos e linguagens ligadas às classes subalternas e desfavorecidas. Foi perseguido por ser negro, durante a escravidão, após a Abolição em uma situação de profunda exclusão social dos alforriados e no racismo ainda forte em nossa sociedade. Mesmo assim, ele está em todo Brasil, sendo uma importante voz de resistência e nacionalidade. Pedimos passagem para contar um pouco dessa história que tentamos retratar da maneira mais variada possível. São 10 filmes com diferentes vertentes do samba e seus personagens. 

Também realizamos uma singela homenagem, dedicando a última sessão à vida e obra de Aldir Blanc. Poeta do mais alto quilate de nossa música, defensor da democracia e da cultura, foi uma das vítimas do negacionismo promovido durante a pandemia da Covid-19. Em sua memória, dedicamos essa mostra: CHAMA, ALDIR!

Pode chegar que você é nosso convidado para este samba!

2ª Edição da “Mostra Cinema e Samba – Vai no Bixiga Pra Ver!”

CINE-TEATRO DENOY DE OLIVEIRA
Rua Rui Barbosa 323 – Bixiga
Informações: (11) 94662-6916 – Whatsapp

 

PROGRAMAÇÃO

04/04/2026

 

Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba

Dirigido por Ricardo Dias e Thomaz Farkas (2006), Brasil. 10 min.

Na comemoração do IV Centenário de São Paulo, em abril de 1954, Thomaz Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha com a Velha Guarda do Samba no Parque do Ibirapuera. 50 anos depois, o curta recupera o material capturado pelo cineasta com sua Kodak 16mm, de corda. Foram filmados 6 minutos de um espetáculo maravilhoso do Pessoal da Velha Guarda, com Pixinguinha, Donga, João da Bahiana, Almirante, Alfredinho do Flautim, Jacó Palmieri e Benedito Lacerda. O filme, perdido por quase meio século, traz para o público as únicas imagens em movimento do grupo que se tem conhecimento.

 

Um Homem de Moral

Dirigido por Ricardo Dias (2009), Brasil. 84 min.

Paulo Vanzolini, um dos mais importantes compositores do samba de São Paulo, é a figura central deste longa. Apresentando o autor através de seus sambas, amigos e de sua cidade, o filme busca contar a vida do singular personagem que mescla música e ciência em sua trajetória. Compositor de canções populares como “Ronda” e “Volta por Cima”, Vanzolini celebrou  100 anos de seu nascimento em 2025.

Através de entrevistas com o autor, parceiros e amigos, e de filmagens dos ensaios e das gravações de estúdio para o conjunto de quatro CDs, chamado “Acerto de Contas”, em 2002, e do show nas dependências do SESC na Vila Mariana, bairro do estado de São Paulo, o filme nos traz um rico panorama do trabalho do compositor.


11/04/2026

Couro de Gato

Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade (1962), Brasil. 15 min.

Durante os preparativos para o carnaval, garotos da favela vendem gatos para que os couros sejam utilizados na confecção de tamborins pelas escolas de samba. Um dos garotos pega um gato angorá de uma madame, brinca e divide a sua comida com ele. Ele hesita em vendê-lo para o fabricante de tamborins, mas sua fome é grande.

Episódio do filme Cinco Vezes Favela (produzido pelo CPC da UNE e considerado um marco do Cinema Novo) em 1962; recebeu o Prêmio de Melhor Filme no Festival de Sestri Levante, na Itália e, em 1995, fez parte da seleção “Um Século de Cinema”, do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, onde foram exibidos 100 curtas que fizeram a história do cinema.

 

Onde a Coruja Dorme

Dirigido por Simplício Neto e Márcia Derraik (2012), Brasil. 51 min.

Bezerra da Silva, sambista de grande sucesso nacional, tem sua origem nordestina muito pouco conhecida. Nascido no Recife, no ano de 1927, ele inicia sua carreira referenciado nas suas raízes, nos dois discos “Bezerra da Silva, o Rei do Côco”. Mas é com o samba que ele alcança grande projeção e sucesso, através de canções bem humoradas sobre a malandragem e a favela.

No entanto, é pouco destacado que um dos motivos do sucesso de Bezerra é a sua equipe de compositores – pedreiros, trocadores de ônibus, carteiros, técnicos de refrigeração e biscateiros em geral. Trabalhadores anônimos que cantam como ninguém o universo da malandragem carioca. Sambistas genuínos, escolhidos a dedo “Onde a Coruja Dorme”.

 

18/04/2026

 

Carioca, Suburbano, Mulato e Malandro

Dirigido por Jom Tob Azulay (1979), Brasil, 13 min.

O curta conta um pouco do dia a dia do sambista João Nogueira. Andando pela cidade, fazendo uma “fezinha”, bebericando uma cerveja e cantando samba em uma roda no seu quintal. Somos apresentados nessa caminhada para um pedaço do universo do samba carioca, com a companhia de um dos seus maiores nomes.

 

Natal da Portela 

Dirigido por Paulo Saraceni (1988), Brasil. 100 min.

Reza a lenda que a história da Escola de Samba Portela se iniciou no quintal da casa de Napoleão José do Nascimento, local de encontro de sambistas durante a década de 20. Esse é o ponto de partida de “Natal da Portela”, que conta a história do filho de Napoleão, o “Seu Natal da Portela”. Após se tornar um banqueiro do bicho, Natal não somente torna-se o patrocinador principal da Portela, como também atua ativamente para ajudar o povo de sua comunidade, financiando orfanatos, hospitais, asfaltar diversas ruas da região e, é claro, ajudar o Madureira, seu time de coração. Natal é um dos personagens que marcam a entrada do dinheiro do jogo de bicho nas agremiações de carnaval. Figura respeitada e polêmica do subúrbio do Rio de Janeiro, a ele foram dedicadas diversas composições que demonstram seu peso na história do carnaval do Rio de Janeiro.


25/04/2026 

 

Noitada de Samba

Dirigido por Carlos Tourinho e Clóvis Scarpino (1977), Brasil. 13 min.

O curta metragem resgata um pouco da história do projeto “Noitada de Samba”, projeto idealizado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer. Ambientado no Teatro Opinião, em plena zona sul carioca, o projeto foi um marco na cultura brasileira. Neste curta a história é apresentada por depoimentos e apresentações de nomes como Alcione, Beth Carvalho, Dona Yvone Lara, Eliana Pittman, Elton Medeiros, Gilberto Braga, Martinho da Vila, Maurício Sherman, e outros.

 

Noitada de Samba – Foco de Resistência

Dirigido por Cély Leal (2010), Brasil. 75 min.

Continuando nossa homenagem ao histórico “Noitada de Samba” do Opinião, trazemos para a programação o longa metragem de Cély Leal. Com início em 1971, foram 617 espetáculos em 13 anos com o histórico espaço do teatro sendo semanalmente tomado por uma eufórica plateia, que se deslocava de todos os cantos da cidade do Rio de Janeiro para ouvir os maiores nomes do samba da época que ali se apresentavam. Praticamente sem registro na bibliografia recente sobre a história da música brasileira, ali se reuniram nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Martinho da Vila, Rosinha Valença, Moreira da Silva, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Xangô da Mangueira, Elza Soares, entre tantos outros.


02/05/2026

 

Conversa de Botequim (com João da Baiana)

Dirigido por Luiz Carlos Lacerda (1972), Brasil. 10 min.

Um dos nomes mais importantes da nossa música, João da Baiana é personagem central deste documentário. Aqui ele aparece tocando pandeiro, caminhando pelas ruas do Rio e conversando no Bar Gouveia com os inseparáveis Pixinguinha e Donga – considerados por Martinho da Vila como a Santíssima Trindade da Música Popular Brasileira.


Aldir Blanc – Dois pra lá, dois pra cá 

Dirigido por Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais (2004), Brasil. 54 min

Compositor, cronista e poeta, Aldir Blanc é, antes de tudo, um letrista do subúrbio carioca. Nascido no Estácio, Aldir passou parte de sua infância em Vila Isabel e adotou a Tijuca como sua moradia por longos anos. Nesses bairros conheceu a boemia, bares, mulheres, futebol e o Salgueiro (sua escola de coração). 

Através de imagens de arquivo, entrevistas com o compositor e depoimento de parceiros, “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá” busca apresentar quatro décadas de militância do letrista em defesa da cultura, do Rio de Janeiro e do Brasil. Os encontros musicais do chamado Movimento Artístico Universitário (M.A.U.), sua vida, amigos, as relações com a censura no período da ditadura militar e a atuação de Aldir Blanc na luta pelos direitos autorais. O filme registra ainda a participação do músico e poeta na imprensa, especialmente no semanário Pasquim, levado pelo amigo Henfil e no Jornal Hora do Povo.

 

17ª Edição do Curso de Teatro da UMES – Faça a sua inscrição

CPC-UMES apresenta a 17ª Edição do Curso de Teatro totalmente gratuito. 

Serão realizadas oficinas de formação em artes cênicas voltadas para estudantes de escolas públicas. 

As aulas acontecerão no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista – com início em março e encerramento em julho. 

As inscrições permaneceram abertas entre os dias 23/02 e 12/03.  

Serão 3 turmas com 2 aulas por semana, totalizando uma carga horária de 6 horas semanais. 

Todas as turmas receberão lanche durante as aulas e auxílio-transporte. 

Em caso de dúvidas entre em contato conosco pelo WhatsApp 11 3289-7475 ou pelo e-mail cursodeteatrodaumes@gmail.com 

Não perca essa oportunidade e venha fazer parte do nosso núcleo de teatro! 

O projeto é uma realização do CPC-UMES e conta com o apoio do Ministério da Cultura. 

 

Horário das aulas  

Turma 1 

Segunda das 14h às 16h 

Terça das 14h às 18h 

 

Turma 2  

Quarta: 14h às 18h 

Sexta: 14h às 16h 
 

Turma 3  

Quinta: 14h às 18h 

Sexta: 16h às 18h 

CPC-UMES apresenta a Mostra “Cinema e Literatura”

O Centro Popular de Cultura da UMES orgulhosamente apresenta a Mostra “Cinema e Literatura”, uma menção a algumas das grandes obras brasileiras, filmadas e escritas, que fizeram parte da nossa construção como sociedade e nação. 

“Se aprendesse qualquer coisa, necessitaria aprender mais, e nunca ficaria satisfeito.” (Graciliano Ramos em Vidas Secas)

Há no Brasil quem não entenda a violência da opressão em Fabiano – que julgava-se cabra – em “Vidas Secas”, que faça pouco caso do papel da mestiçagem de Pedro Archanjo, em “Tenda dos Milagres” e não se reconheça no duelo entre o bem e o mal de Augusto Matraga. 

Mas, e a Capitu, traiu ou não o Bentinho?

O Cinema e a Literatura, duas formas de arte que podem nos ajudar a nos entendermos no mundo – como gente, e não como cabras. Duas formas de combater a barbárie geralmente representada por modelos “modernos” de ensino como “escolas sem partido”, “cívico-militares” ou qualquer outra nova invenção usada para censurar o conhecimento. Aprender é resistir.

O Cine-Teatro Denoy de Oliveira está situado no coração do Bixiga, na Rua Rui Barbosa, 323.

PROGRAMAÇÃO: 

SEXTA-FEIRA (06/03): VIDAS SECAS

Nelson Pereira dos Santos (1963), 103 min. Exibição em 35mm.

Baseado em livro de Graciliano Ramos, um dos livros mais importantes da literatura brasileira. Narra a jornada de uma família de retirantes entre duas grandes secas que tomaram o sertão durante os anos de 1940 e 1942. 

Fabiano, Sinhá Vitória, o Menino mais Velho, o Menino mais Novo e a cachorra Baleia vagam sem destino e já quase sem esperanças pelos confins do sertão, sobrevivendo à fome, à miséria e à crueldade dos homens.

Um clássico brasileiro, “Vidas Secas” faz parte da primeira fase do movimento Cinema Novo. O filme teve suas cópias confiscadas pela ditadura militar, mas foi exibido no mesmo ano no Festival de Cannes, o que lhe garantiu reconhecimento internacional.

 

SEXTA-FEIRA (13/03): TENDA DOS MILAGRES

Nelson Pereira dos Santos (1977), 132 min. Exibição em 35mm.

O doutor Livingstone, importante antropólogo americano chega a Salvador para pesquisar a vida e obra de Pedro Archanjo, intelectual autodidata, bedel da Faculdade de Medicina, já desaparecido. A notícia imediatamente se espalha pela cidade, nos bares e nos terreiros, provoca muitos eventos, concursos, peças de teatro e até um filme para resgatar a história, até então desconhecida, de uma grande figura popular baiana.

“Tenda dos Milagres” é baseado no romance homônimo de Jorge Amado, livro que foi publicado em 1968 e que, por sua vez, é inspirado na vida de Manuel Querino. O aluno do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia viveu entre a metade do século XIX e o início do XX, e seu trabalho foi pioneiro nos registros antropológicos e da valorização da cultura negra na Bahia.

 

SEXTA-FEIRA (20/03): SÃO BERNARDO

Leon Hirszman (1971), 114 min.

Do romance de Graciliano Ramos. Paulo Honório, sertanejo de origem humilde, determinado a ascender socialmente, faz fortuna como caixeiro-viajante e agiota. Em uma manobra financeira, assume a decadente propriedade São Bernardo, fazenda tradicional do município de Viçosa, Alagoas. Recupera a fazenda, expande a sua cultura, introduz máquinas para tratamento do algodão, entra na sociedade local. Desejando um herdeiro para um dia assumir o fruto da acumulação do capital, estabelece um contrato de casamento com a professora da cidade, Madalena. O casamento se consuma, mas gradativamente as diferenças entre eles se acentuam.

Prêmio de Melhor Ator do Festival de Gramado para Othon Bastos. 

 

SEXTA-FEIRA (27/03): CAPITU

Paulo César Saraceni (1968), 105 min.

Baseado em “Dom Casmurro”, romance de Machado de Assis publicado em 1899. Roteiro de Paulo Emílio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles. 

Namorados desde a infância, o casamento de Bentinho e Capitu transcorre no mais absoluto padrão de normalidade para a elite econômica de então. Entre os poucos amigos mais chegados se encontram Ezequiel Escobar e sua esposa, Sancha. Gradativamente, no entanto, Bentinho começa a ter sérias desconfianças sobre a infidelidade de sua amada Capitu com o amigo Escobar. Sua personalidade é transformada pelo ciúmes.

 

SÁBADO (28/03): A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA

Roberto Santos (1965), 109 min.

O violento fazendeiro Augusto Matraga é dado como morto após ser traído pela esposa e emboscado por inimigos. Resgatado por um casal, encontra na religião uma chance de redenção. À margem do mundo, acredita estar pagando por seus pecados, à espera de sua hora e vez. Tudo muda quando o jagunço Joãozinho Bem-Bem o reconhece como o homem violento de antes, despertando antigos instintos. Matraga passa então a oscilar entre o desejo de vingança e a bondade que aprendeu a cultivar.

Baseado no conto homônimo da obra Sagarana, de João Guimarães Rosa, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” é banhado pelos mesmos riachos, jagunços, vaqueiros, bois e cavalos que povoam as páginas de Guimarães Rosa.

Márcio Cabreira dedicou a sua vida à luta dos estudantes e do povo brasileiro

Recebemos com imensa tristeza a notícia da partida do nosso grande Márcio Cabreira, falecido neste 10 de fevereiro de 2026.

Um dos homens imprescindíveis, Márcio teve um papel de destaque na formação de inúmeros jovens da cidade de São Paulo, onde atuou apoiando o trabalho da União dos Estudantes Secundaristas de São Paulo, a UMES.

Márcio dedicou anos fundamentais da sua vida à construção do trabalho secundarista. Sempre com dedicação máxima à luta dos estudantes brasileiros. Foi presidente da União Gaúcha dos Estudantes (UGES) e dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), onde sempre se destacou por sua capacidade de liderança nas mais importantes lutas brasileiras, em especial nos anos resistência ao neoliberalismo.

Foi também um dos mais importantes militantes revolucionários do nosso país. Ainda na juventude, integrou-se ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) e, posteriormente, um dos fundadores do Partido Pátria Livre. Após a integração do PPL ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Cabreira assumiu tarefas partidárias à altura de sua grandeza.

Os estudantes de São Paulo saúdam a vida e celebram a memória de Márcio Cabreira. O exemplo de determinação e coragem de Márcio se fará valer às próximas gerações de militantes da UMES.

À sua esposa, Ana Cabreira, às suas filhas Eduarda e Vitória, nosso profundo sentimento de gratidão.

Vá em paz, camarada Márcio.

*UNIÃO MUNICIPAL DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS DE SÃO PAULO*

Solicite aqui o seu Bilhete Único do Estudante 2026

Os estudantes de São Paulo já podem solicitar seu Bilhete Único Estudante para o ano letivo de 2026. Para fazer o pedido de um novo bilhete ou de revalidação do cartão que já possui, é preciso que a instituição de ensino tenha enviado sua matrícula à SPTrans.

Os alunos que vão utilizar o Bilhete Único pela primeira vez irão receber o seu cartão em casa ou no endereço que ele escolher. Para isso, é preciso completar o processo de solicitação e pagamento do valor de validação do benefício, que é de sete tarifas vigentes, ou R$ 37,10 via cartão de crédito, boleto ou PIX.

 

CLIQUE AQUI E SOLICITE O SEU BILHETE ÚNICO DO ESTUDANTE

 

Passo a passo

Para solicitar a primeira via ou revalidação do Bilhete Único Estudante, siga o passo a passo:

• Informe a Unidade de Ensino que deseja utilizar o Bilhete Único de Estudante no ano vigente;

• Aguarde o envio dos seus dados de matrícula à SPTrans pela Unidade de Ensino. Você poderá acompanhar a confirmação de sua matrícula no site;

• Entre no site sptrans.dne.com.br e se identifique com o RG e CPF;

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O pagamento dos valores podem ser feitos por cartão de crédito, boleto ou PIX.

O aluno que escolher a opção do boleto deve aguardar a confirmação do pagamento (que leva até três dias úteis).  Importante: antes de imprimir o boleto, verifique se é o número do cartão que pretende revalidar e só assim imprima o boleto. O documento também pode ser pago em casas lotéricas.

Após a conclusão dessas etapas, a foto e o documento serão validados e o cartão será encaminhado para o endereço informado no momento do cadastro;

 

Desbloqueio

 

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Mostra Permanente de Cinema Italiano chega ao 11º ano com a celebração de clássicos e homenageia Claudia Cardinale

O Centro Popular de Cultura da UMES apresenta a 11a edição da Mostra Permanente de Cinema Italiano.

Criada em 2016, a Mostra exibe os clássicos da cinematografia italiana de todas as épocas, sempre às segundas-feiras e durante o ano inteiro.

Neste ano, serão 39 filmes de 20 grandes diretores italianos em uma programação repleta de surpresas. Nosso respeito à grande musa do cinema italiano, Claudia Cardinale, que faleceu no ano passado, nos levou à busca de alguns filmes menos conhecidos e, com certeza, imperdíveis. Outros filmes, já muito conhecidos, possuem desde sempre um lugar de destaque no nosso coração e não poderiam ficar de fora.

A commedia all’italiana dá o tom da programação desse ano, que abre as portas com o grande clássico de Dino Risi, “Uma Vida Difícil”, que retrata 30 anos da história da Itália ao fim da 2ª Guerra Mundial.

Situada no coração do Bixiga, a Mostra Permanente de Cinema Italiano acontece às segundas-feiras, às 19h, no Cine-Teatro Denoy de Oliveira. Participe!

 

PROGRAMAÇÃO DE 2026

02/02 – UMA VIDA DIFÍCIL
Dino Risi (1961), 118 min. comédia/guerra

09/02 – VENHA DORMIR LÁ EM CASA ESTA NOITE
Dino Risi (1977), 110 min. comédia/crime/drama

16/02 – NÃO HAVERÁ SESSÃO

23/02 – O VIÚVO
Dino Risi (1959), 91 min. comédia

02/03 – O DIA DA CORUJA
Damiano Damiani (1968), 108 min.  drama/policial

09/03 – AGENTE DUPLO
Damiano Damiani (1977), 110 min. suspense/ação

16/03 – UMA BALA PARA O GENERAL
Damiano Damiani (1967), 118 min. faroeste

23/03 – VAGAS ESTRELAS DA URSA
Luchino Visconti (1965), 105 min. drama/mistério

30/03 – RENÚNCIA DE UM TRAPACEIRO
Francesco Rosi (1959), 116 min. drama/romance

06/04 – CARMEN
Francesco Rosi (1984), 152 min. drama/musical

13/04 – VERMIGLIO – A NOIVA DA MONTANHA
Maura Delpero (2024), 119 min. drama/ficção histórica

20/04 – NÃO HAVERÁ SESSÃO

27/04 – A COMILANÇA
Marco Ferreri (1973), 130 min. comédia/sátira

04/05 – NÃO TOQUE NA MULHER BRANCA
Marco Ferreri (1974), 108 min. comédia/sátira

11/05 – OPERAÇÃO OGRO
Gillo Pontecorvo (1979), 115 min. drama/político

18/05 – ONDE ESTÁ A LIBERDADE?
Roberto Rossellini (1954), 93 min. comédia

25/05 – DE CRÁPULA A HERÓI
Roberto Rossellini (1959), 132 min. drama/guerra

01/06 – ERA NOITE EM ROMA
Roberto Rossellini (1960), 151 min. drama/guerra

08/06 – L’ALLENATORE NEL PALLONE
Sergio Martino (1984), 98 min. comédia/futebol

15/06 – ‘A SANTANOTTE (sessão especial com música ao vivo)
Elvira Notari (1922), 60 minutos. drama/filme silencioso

22/06 – OS AMANTES DE FLORENÇA
Carlo Lizzani (1954), 107 minutos. drama/romance

29/06 – TORTURA DE DUAS ALMAS
Carlo Lizzani (1953), 96 minutos. drama/policial

06/07 – BRANCALEONE NAS CRUZADAS
Mario Monicelli (1970), 116 minutos. comédia/aventura

13/07 – OS ETERNOS DESCONHECIDOS
Mario Monicelli (1958), 106 min. comédia/crime

20/07 – TOTÓ E CAROLINA
Mario Monicelli (1955), 84 min. comédia

27/07 – PÁSCOA DE SANGUE
Giuseppe de Santis (1950), 107 min. drama/neorrealismo

03/08 – A QUIMERA
Alice Rohrwacher (2023), 131 min. aventura/comédia

10/08 – LAZZARO FELIZ
Alice Rohrwacher (2018), 128 min. drama/fantasia

17/08 – AS MARAVILHAS
Alice Rohrwacher (2014), 110 min. drama/amadurecimento

24/08 – E LA NAVE VA
Federico Fellini (1983), 132 min. comédia/musical

31/08 – MULHERES E LUZES
Federico Fellini e Alberto Lattuada (1950), 97 min. romance/comédia

07/09 – NÃO HAVERÁ SESSÃO

14/09 – CASANOVA DE FELLINI
Federico Fellini (1976), 155 min. drama histórico

21/09 – DIVÓRCIO À ITALIANA
Pietro Germi (1961), 105 min. comédia

28/09 – ALFREDO! ALFREDO!
Pietro Germi (1972), 110 min. comédia/romance

05/10 – O CAMINHO DA ESPERANÇA
Pietro Germi (1950), 105 min. drama

12/10 – NÃO HAVERÁ SESSÃO

19/10 – OS INDIFERENTES
Francesco Maselli (1964), 89 min. drama

26/10 – OS DELFINS
Francesco Maselli (1960), 102 min. drama

02/11 – NÃO HAVERÁ SESSÃO

09/11 – OS VIOLENTOS VÃO PARA O INFERNO
Sergio Corbucci (1968), 110 min. faroeste

16/11 – COMPANHEIROS
Sergio Corbucci (1970), 115 minutos. faroeste

23/11 – A PROFISSÃO DAS ARMAS
Ermanno Olmi (2001), 105 min. drama histórico

30/11 – A ÁRVORE DOS TAMANCOS
Ermanno Olmi (1978), 186 min. drama histórico

 

HOMENAGEM À CLAUDIA CARDINALE

A grande musa do cinema italiano nos deixou em 23 de setembro de 2025 mas nós nunca esqueceremos dela! 

Claudia Cardinale, com sua beleza e talento, ajudou a definir o cinema italiano do pós-guerra. Sua presença marcante será lembrada durante toda a edição da Mostra 2026 nos filmes: “O Dia da Coruja” (1968) e “Agente Duplo” (1977) de Damiano Damiani; “Vagas Estrelas da Ursa” (1965), clássico de Luchino Visconti; “Os Indiferentes” (1964) e “Os Delfins”, ambos de Francesco Maselli; e “Os Eternos Desconhecidos” (1958), de Mario Monicelli, filme que marcou a estreia de Claudia Cardinale no cinema.

Claudia Cardinale em “Os Indiferentes” (1964), de Francesco Maselli

 

PARCERIA COM INSTITUTO ITALIANO DE CULTURA DE SÃO PAULO

Graças à parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, trazemos para esta edição duas grandes obras do cinema italiano contemporâneo: “A Quimera” (Alice Rohrwacher, 2023) e “Vermiglio – A Noiva da Montanha” (Maura Delpero, 2024). 

“A Quimera”, uma fábula poética sobre memória, passado e busca por significado é o 4º longa-metragem de Rohrwacher, que também nos brinda nesta edição com outros dois filmes de sua filmografia, “Lazzaro Feliz” e “As Maravilhas”, sempre provando como o cinema italiano pode ser intenso e excepcionalmente original. 

Em “Vermiglio – A Noiva da Montanha”, o ritmo lento da vida rural vem nos recordar de clássicos como “A Árvore dos Tamancos” (1978), filme de Ermanno Olmi que encerra esta edição da Mostra. “Vermiglio” nos fala sobre dor e tradições em meio ao isolamento do vilarejo remoto de Vermiglio, no norte da Itália, durante os últimos anos da 2ª Guerra Mundial. A perspectiva feminina estrutura a narrativa do filme, que ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 2024.

“Vermiglio – A Noiva da Montanha” (2024), de Maura Delpero

 

SESSÃO COM MÚSICA AO VIVO

Para deixar a nossa noite ainda mais emocionante, a exibição do filme silencioso “A Santanotte” (1922) terá acompanhamento musical ao vivo no piano.

O filme é dirigido por Elvira Notari, a primeira mulher cineasta da Itália, bem como a mais produtiva, contando com mais de 60 longas-metragens e centenas de curtas e documentários em seu currículo. Seu trabalho é considerado um precursor do neorrealismo.

A obra é baseada em uma canção popular napolitana do mesmo nome.

“A Santanotte” (1922), de Elvira Notari

 

OS “ESTRANGEIROS”

São filmes que foram dirigidos por cineastas italianos, porém, seu país de produção e até mesmo o idioma original não são da Itália. Apresentamos: os filmes “estrangeiros”, grandes obras de cineastas italianos pelo mundo.

São eles: “Carmen” (1984), adaptação de Francesco Rosi para a ópera de Bizet, ambientado em Sevilha, no século XIX; “A Comilança” (1973), de Marco Ferreri, sátira grotesca sobre a sociedade de consumo e a decadência da burguesia; “Não Toque na Mulher Branca” (1974), uma paródia de faroeste sobre imperialismo e essa tal de “civilização” ocidental; e “Operação Ogro” (1979), drama político de Gillo Pontecorvo que, baseado em fatos reais, retrata o planejamento para matar o almirante Luis Carrero Blanco, braço-direito do ditador espanhol Francisco Franco, pelo grupo separatista basco ETA.

“Carmen” (1984), de Francesco Rosi

 

O GÊNERO FAROESTE/WESTERN SPAGHETTI

Mesmo com um orçamento menor que dos filmes americanos, os chamados “western spaghetti” não só renovaram o cinema italiano, como também reviveram o gênero do velho-oeste e o popularizaram mundialmente mais uma vez.

O termo “western spaghetti” surgiu como um apelido depreciativo da crítica estrangeira, ainda viúva da morte dos tradicionais bang bangs americanos. Os filmes do gênero possuem, como principal característica, protagonistas cínicos e anti-heróis, representando uma visão italiana agridoce, violenta e crítica sobre o mundo. As trilhas sonoras dos filmes spaghetti são extremamente populares e algumas se tornaram marcas registradas que atravessam gerações. 

Nesta edição, os escolhidos foram: Uma Bala Para O General (1967), de Damiano Damiani, Os Violentos Vão Para O Inferno (1968), de Sergio Corbucci e Companheiros (1970), também de Sergio Corbucci.

“Os Violentos Vão Para o Inferno” (1968), de Sergio Corbucci

O CINE-TEATRO DENOY DE OLIVEIRA

O Cine-Teatro Denoy de Oliveira, desde seu nascimento, assumiu a missão de democratizar a cultura popular. Com o tempo, conquistou seu público, tornando-se referência por oferecer uma programação variada, acessível e de qualidade. 

Inaugurado em 1994 como Teatro UMES, em formato de arena, foi palco de apresentações musicais e teatrais do CPC-UMES, reunindo talentos e ideias que pulsavam no movimento estudantil e cultural. Em 1998, após uma reforma total, passou a se chamar Teatro Denoy de Oliveira, uma homenagem dos estudantes secundaristas ao cineasta e fundador do CPC-UMES, que acreditava no poder da arte como instrumento de transformação. Em 2011, o sistema de projeção da sala passou por diversas melhorias em sua imagem e som, o que nos possibilitou abrir as portas para a comunidade do bairro em forma de mostras e cineclubes. O espaço, então, passou a se chamar Cine-Teatro Denoy de Oliveira. Hoje, o Denoy é muito mais do que uma sala de cinema ou teatro: é um lugar de convivência e celebração, onde tela e palco se misturam às histórias de quem passa por aqui, mantendo viva a chama da cultura popular brasileira. 

Cine-Teatro Denoy de Oliveira

 

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Mostra CPC-UMES 30 anos celebra a luta pela cultura popular

A partir desta sexta-feira (12), o Centro Popular de Cultura da UMES (CPC-UMES) realiza uma série de apresentações em celebração aos 30 anos da entidade e em homenagem ao fundador da entidade, Denoy de Oliveira.

A programação especial será realizada no Cine-Teatro Denoy de Oliveira e contará com o lançamento de livros, leitura cênica, debates e um “pocket show” para compreender o legado de um dos mais completos artistas brasileiros.

Também será realizada uma exposição sobre as três décadas de trabalho cultural do CPC-UMES, abordando o conjunto da produção da entidade e a obra de Denoy.

Fundador do CPC-UMES, Denoy de Oliveira

Diretor, ator, produtor, dramaturgo, roteirista, compositor, Denoy de Oliveira foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da UNE em 1963 e, a partir daí, passou a figurar entre os gigantes da cultura brasileira. Em 1964, após o fechamento do CPC pelo Golpe Militar, funda junto com Ferreira Gullar, Vianninha, João das Neves, Teresa Aragão, Paulo Pontes, Armando Costa e Pichin Plá o Grupo Opinião.

Dedicou sua vida à arte e cultura brasileira, sendo premiado nacional e internacionalmente por diversos filmes como 7 Dias de Agonia (O Encalhe) (1982), O Baiano Fantasma (1984) e A Grande Noitada (1997), além de curtas, médias e documentários. Em 1994 ajudou a fundar o Centro Popular de Cultura da UMES sendo um dos alicerces do trabalho da entidade estudantil secundarista de São Paulo.

 

PROGRAMAÇÃO

Dia 12 de dezembro

18h – Abertura da exposição Denoy de Oliveira e CPC-UMES

19h – Leitura cênica de trechos de Revólver Justiceiro

19h30 – Apresentação do livro Denoy de Oliveira – Teatro Completo, por Maria Sílvia Betti e Xavier de Oliveira

 

Dia 13 de dezembro

19h – Apresentação dos livros Denoy de Oliveira – Estética da Esperança, por Xavier de Oliveira e Carlos Lopes e O Teatro do CPC-UMES, por Roberta Carbone e Rebeca Braia

20h30 – Pocket Show de Caíto Marcondes, interpretando músicas das peças de Denoy

 

SERVIÇO:

CPC-UMES 30 ANOS

12 e 13 de Dezembro

Cine-Teatro Denoy de Oliveira

Rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista – São Paulo – SP

 

Sujeito a lotação para assistir à leitura, pocket-show e o bate-papo, com distribuição de ingressos iniciando com uma hora de antecedência das apresentações, diretamente na entrada do Cine-Teatro. 

OS LIVROS

 

O Teatro do CPC-UMES

Apresentaremos, nesse volume, cinco peças, todas ainda inéditas em livro e que foram encenadas, ao longo das últimas três décadas, por estudantes secundaristas e por alguns atores profissionais. Sinto-me muito à vontade fazendo essa apresentação, pois tive a oportunidade de participar de todas as montagens, seja ainda como uma jovem atriz amadora, seja já formada e com longos anos de estrada.

As peças que os leitores irão conhecer são textos produzidos de maneira coletiva, com o principal intuito de debater com o público temas do dia a dia, das lutas encampadas pelos estudantes e pelo povo. Essa relação direta com o presente confere ao trabalho um caráter de urgência e de emergência. A partir das discussões políticas e coletivas, chega-se a consensos, críticas e bandeiras de luta sobre questões da conjuntura, que afetam determinado conjunto da sociedade.

Sintetizar essas discussões em forma de teatro é o grande barato da brincadeira. E a sintonia entre a arte e a política dá as medidas e as dosagens desse tipo de criação. Podemos descrevê-las como peças didáticas. O processo de aprendizagem ocorre tanto para aqueles que estão assistindo ao espetáculo, quanto para aqueles que estão representando.

Rebeca Braia

 

Denoy, o combatente esperançoso

Os textos aqui reunidos vieram à luz em um período que se estende por quase 20 anos, entre 1978 e 1995. Pode parecer pouco, diante da profícua atividade desse artista, que já escrevia canções em 1946, e cujo primeiro texto teatral data de 1957. Mas o leitor compreenderá o porquê dessa seleção, entre centenas de outras entrevistas e textos.
Os três artigos iniciais trazem a face ativista do autor. Denoy foi um dos fundadores e presidente da Associação Paulista de Cineastas. E é nessa condição que escreve o primeiro artigo, de 1978, que não sabemos se foi publicado em algum periódico. O segundo artigo data de 1982 e foi publicado na revista Cineasta, editada pela própria APACI, e que teve apenas dois números. E o terceiro surge no número inaugural, de novembro de 1986, do Jornal Imagemovimento, iniciativa do Conselho Nacional de Cineclubes. Ou seja, todos os textos publicados em órgãos de classe do audiovisual. Revelam as posições firmes de Denoy, já um diretor reconhecido e multipremiado, em defesa do cinema brasileiro.

Temos, a seguir, um conjunto de artigos, escritos entre 1989 e 1991, para o Jornal Hora do Povo. Eram colunas diárias, sob as rubricas “Na Tela” e “Vídeo”, a maioria das quais conseguimos reproduzir aqui. As posições expressas nos artigos anteriores não mudam. Aprofundam-se, refinam-se. E até, podemos dizer, radicalizam-se, diante de novas ameaças que agravam aquilo que Denoy costuma chamar de “endemias do Cinema Brasileiro”.

Mas algo novo aparece nesses textos: análise de obras cinematográficas, tanto nacionais quanto estrangeiras. Em mais de um dos artigos, Denoy afirma “não sou crítico”. Afirma querer, apenas, “pensar o cinema”. Mas faz, concretamente, aquilo que a verdadeira crítica deveria fazer. Anos antes, nosso autor já havia manifestado sua repulsa aos falsos críticos, aboletados nos grandes meios de comunicação: “Essa crítica sem espaço, sem exercício do pensamento, sem (condições de) procurar esquemas, ainda que alternativos, para desenvolver suas teses e projetos, termina por ser puramente técnica e/ou estética (daí sua falência?).” E afirma a sua irrelevância: “Na verdade, essa crítica, despida de paixão e de contradições, asséptica e, via de regra, manietada pelos chefões, não influencia. Ao menos a mim ou aos meus filmes. Ela simplesmente engrossa as regras do sistema”.

Suas “não críticas” ou “anticríticas”, os seus “pensares” tentam, na verdade, fazer o oposto daquilo que uma crítica “muito colonizada” acaba fazendo:
Não se estabelecia jamais uma relação mais profunda entre as imagens e o momento histórico em que elas foram geradas. Realidades estanques se estabeleciam e eram pinçadas para uma tela iluminada. A crítica – e em consequência seus leitores – aceitava esse mundo como definição e passava ao fator “cinema”. E tudo o que ali escava representado era legítimo como imaginário e respondia por todas as consciências do mundo.

 

Denoy de Oliveira – Estética da Esperança

O olhar de Denoy tem paixão, é “contaminado” de vida, de concretude. Ou seja, não apenas faz a análise dos filmes pelo aspecto estético, pela linguagem. Enxerga-os em sua totalidade sócio-histórica, desde a posição de onde fala o realizador até o seu papel na vida do espectador. Ao analisar, por exemplo, uma obra “sem novidades, mas de boa realização”, na qual predomina a violência, salienta que, pelo menos, a “porrada que você não dá no seu patrão é compensada”. Puro sarcasmo, típico de um intelectual que nunca teve medo de posicionar-se.

Encerra o volume uma extensa entrevista concedida por Denoy a Marcelo Ridenti, em 1995, para a sua tese de Livre-Docência na Unicamp e que resultou no livro Em Busca do Povo Brasileiro. Nela o já veterano cineasta repassa os momentos importantes de sua trajetória, reafirma princípios e ideais e, sobretudo, mantém a postura combativa. As palavras, proferidas três anos antes de sua tão precoce partida, revelam um batalhador da cultura nacional, orgulhoso dos combates travados, mas, sobretudo, esperançoso, disposto a continuar lutando.

O crítico Luiz Carlos Merten, ao noticiar o falecimento de Denoy, disse que o Brasil perdia o “cineasta do homem comum”. Realmente, nos seus filmes – e mesmo em suas peças teatrais – podíamos ver, como protagonistas, homens e mulheres reais, os verdadeiros heróis brasileiros. Em tempos de falsos patriotas (embrulhados em bandeiras estrangeiras), prósperos profetas, mitos do esgoto, coaches e mentores da ilusão, essa obra fará bem ao seu leitor: lembrará que o Brasil é capaz de produzir grandes artistas e extraordinários seres humanos.

CPC-UMES

 

QUATRO ANOS QUE PARECERAM QUATRO DÉCADAS!

Vivêssemos em uma época ou em uma sociedade melhores, deixar os textos teatrais de Denoy de Oliveira inéditos por tantas décadas seria considerado um crime contra a cultura nacional. Sem querer buscar consolo, não se trata apenas de perseguição contra esse grande artista brasileiro, nascido no Pará. Nossos grandes dramaturgos são jogados no esquecimento com uma facilidade assombrosa. Centenas – milhares até – de grandes peças foram criadas e chegaram até a ganhar os palcos; mas, como nunca viraram livro, perderam-se pelos tempos. Mesmo autores clássicos da dramaturgia nacional são, muitas vezes, encontráveis apenas nos sebos.

O Centro Popular de Cultura da UMES busca agora dar uma pequena contribuição para transformar esse quadro, trazendo à luz sete peças daquele que foi o seu fundador.

Escritas, as cinco primeiras, em seus anos de formação e nos anos de seu amadurecimento forçado sob os tacões da ditadura as duas últimas, as peças revelam um escritor inquieto, de raro talento e acurada sensibilidade. Mesmo tendo sido concluídas há tanto tempo, todas revelam vitalidade, falam aos espectadores de hoje como teriam falado aos de seu tempo. Isso, justamente, é o que faz de um texto uma verdadeira obra de arte: sua permanência, sua capacidade de, mesmo com o passar dos anos, continuar dialogando com as grandes questões da natureza humana. Mas pouparemos o leitor de uma análise mais demorada de cada uma delas, pois não conseguiríamos superar as observações certeiras de Maria Sílvia Betti no prefácio e de Xavier de Oliveira nas introduções.

 

3ª Mostra de Cinema Popular Chinês celebra a libertação do povo e a vitória contra o fascismo

Da Fundação da República à Revolução, 3ª Mostra de Cinema Popular Chinês conta os caminhos da sociedade chinesa e as profundas transformações desta civilização

Este ano, é comemorado o 80º aniversário da Vitória na Guerra Mundial Antifascista e na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa. Com grande euforia, o povo chinês celebra a libertação de seu próprio povo e da humanidade dos horrores do fascismo. Segundo Xi Jinping nos desfiles de comemoração do Dia da Vitória: “O povo chinês fez grandes contribuições para salvar as civilizações humanas e defender a paz mundial com enormes sacrifícios nacionais.”

Com este espírito apresentamos a 3ª Mostra de Cinema Popular Chinês, contando os caminhos que a sociedade chinesa atravessou e as profundas transformações que moldaram esta civilização. A seleção de filmes apresenta três grandes momentos da história chinesa: 1911 – A Revolução, dirigido por Jackie Chan, narra os acontecimentos da Revolução Xinhai que libertou a China das potências estrangeiras. Nanquim! Nanquim! é o retrato brutal do massacre que deixou mais vítimas em toda história da China, encenando os crimes de guerra cometidos pelas tropas de ocupação japonesa em 1937. A Fundação da República conta os episódios que culminaram na Proclamação da República Popular da China, descrevendo os momentos e personagens mais importantes da Revolução Comunista Chinesa.

Além dos momentos históricos, a curadoria conta com A História de Qiu Ju, comovente jornada de uma jovem camponesa em busca de justiça, pelas lentes do renomado diretor Zhang Yimou.  Através de Fagara, conhecemos a delicada e sensível história de três irmãs que cresceram separadas na China, Taiwan e Hong Kong e se reencontram após o falecimento de seu pai. Em Deus da Guerra, conhecemos a saga de expulsão dos piratas e samurais japoneses com as inovadoras soluções e espírito heróico do General Qi Jiguang.

Para enriquecer nossa programação, convidamos novamente o Instituto Confúcio da UNICAMP através de nosso amigo Gao Qinxiang, Diretor Chinês do instituto, para realizar uma apresentação da música chinesa em nosso Cine-Teatro. Na ocasião, ele e o grupo de professores do Instituto Confúcio da UNICAMP irão apresentar um conjunto de músicas e danças do rico repertório tradicional do país.

 

PROGRAMAÇÃO

 

1911 – A Revolução                   | Quinta          | 19h
Nanquim! Nanquim!               | Sexta             | 19h
A História de Qiu Ju                | Sábado          | 14h
A Fundação da República       | Sábado          | 17h
Apresentação Cultural             | Domingo      | 14h
Fagara                                         | Domingo      | 16h30min
Deus da Guerra                         | Domingo      | 19h45min

 

SERVIÇO 

3ª MOSTRA DE CINEMA POPULAR CHINÊS

04 A 07 DE DEZEMBRO

CINE-TEATRO DENOY DE OLIVEIRA

Rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista, São Paulo

Informações: (11) 3289-7475

ENTRADA GRATUITA

 

FILMES APRESENTADOS

 

1911 — A Revolução

2011 | COR | 99 min | Drama/Guerra | 16 anos

De Jackie Chan e Zhang Li; com Jackie Chan, Winston Chao e Li Bingbing

Lançado em comemoração ao centenário da revolução Xinhai, que desmantelou a já enfraquecida Dinastia Qing e estabeleceu a República da China em 1911, retrata os episódios mais marcantes da trajetória de Sun Yat-sen (Winston Chao) na organização de revoltas contra o império milenar sob a liderança do Comandante Huang Xing (Jackie Chan).

Curiosidades

  • Centésimo filme da carreira de Jackie Chan, marca sua estreia como diretor no cinema da China continental.
  • Jing Ning e Chun Sun receberam o Prêmio Cem Flores de melhor Atriz e Ator Coadjuvante.

 

Nanquim! Nanquim!

2009 | P&B | 133 min | Guerra | 18 anos

De Lu Chan; com Liu Ye, Fan Wei e Gao Yuanyuan

 

Em 1937, quando as tropas do Japão Imperial invadiram Nanquim, teve início um dos maiores massacres da história da humanidade. Nanquim! Nanquim! É um retrato em preto e branco da dor e das atrocidades cometidas pelo Japão, e da luta por sobrevivência e libertação do povo chinês.

Curiosidades

  • O Massacre de Nanquim teve aproximadamente 300.000 execuções de civis e militares chineses, sobretudo mulheres e crianças.
  • Mesmo após 80 anos da Vitória do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa, o governo japonês ainda não reconheceu oficialmente os crimes cometidos durante os 8 anos de conflito.

 

A História de Qiu Ju

1992 | COR | 100 min | Drama | 12 anos.

De Zhang Yimou; com Gong Li, Liu Peiqi e Lei Kesheng.

Qiu Ju (Gong Li) é uma jovem camponesa que realiza uma verdadeira jornada em busca de justiça após seu marido ser agredido pelo chefe da vila. Zhang Yimou, neste filme, retrata as dificuldades e avanços do interior da China na década de 1990.

Curiosidades

  • O filme foi premiado como Melhor Filme no Festival de Cinema de Veneza.
  • O filme foi premiado como Melhor Filme e Melhor Atriz no Festival Cem Flores e no Festival Galo de Ouro, o maior festival de cinema da China.

 

A Fundação da República

2009 | COR | 138 min | Drama | 14 anos

De Huang Jianxin e Han Sanping; com Guoqiang Tang, Guoli Zhang e Xu Qing.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a China mergulha em uma nova disputa interna. O governo nacionalista de Chiang Kai-shek (Zhang Guoli), enfraquecido e responsabilizado pelas perdas da guerra, enfrenta a ascensão dos comunistas liderados por Mao Tsé-Tung (Tang Guoqiang), que, após libertarem vastas regiões do domínio japonês, lançam sua ofensiva final: derrubar o governo central e reunificar o país sob uma nova república.

Curiosidades

  • Realizado nas comemorações de 60 anos de fundação do Partido Comunista da China.
  • Atores prestigiados participam do filme como Jackie Chan, Jet Li, Andy Lau e Donnie Yen que se voluntariaram gratuitamente para papéis no filme.
  • O filme foi premiado como Melhor Filme no Festival Cem Flores e recebeu a premiação Huabiao do Ministério da Cultura da China de Melhor Filme e Melhor Diretor.

 

Fagara

2019 | COR | 118 min | Comédia/Drama | 14 anos

De Heiward Mak; com Sammi Cheng, Megan Lai e Li Xiaofeng.

Quando o dono de um tradicional restaurante de hot pot falece, três irmãs, criadas separadamente na China continental, em Taiwan e em Hong Kong, se reencontram para decidir o futuro do negócio e, sobretudo, o rumo de suas próprias vidas.

Curiosidades

  • O filme foi premiado como Melhor Direção de Arte no Festival de Cinema de Hong Kong.
  • Fagara é uma pimenta que causa uma sensação de formigamento e dormência na língua, popularmente conhecida como pimenta de Sichuan, muito utilizada na culinária chinesa e nos caldeirões de Hot Pot.

Deus da Guerra

2019 | COR | 128 min | Ação/Aventura | 12 anos

De Gordon Chan; com Wenzhuo Zhao, Sammo Hung e Wan Qian.

Durante a dinastia Ming, piratas e samurais unem forças para invadir e saquear cidades chinesas. Para conter a destruição, o lendário General Qi Jiguang (Wenzhuo Zhao) é enviado ao campo de batalha, liderando tropas em uma série de combates épicos que definem o destino da região.

Curiosidades

  • Baseado na história real do General Qi Jiguang, considerado herói nacional por eliminar 100 embarcações piratas na região de Taizhou.