Tiradentes ontem e hoje

 

Este texto de Ruy Mauro Marini, intitulado “Tiradentes ontem e hoje”, que temos a satisfação de publicar nesta edição do HP, é um dos melhores textos já escritos sobre o alferes de Minas e o início da revolução de libertação do Brasil. Ele foi elaborado em maio de 1968, durante o exílio de Marini no Chile. O artigo, traduzido por nós, é inédito no Brasil e foi publicado por El Día, Testimonios y Documentos, do México. A seriedade e a profundidade com que o autor descreve os acontecimentos do final do século XVIII no Brasil coloca a análise num patamar substancialmente mais elevado do que a maioria das outras feitas sobre o mesmo tema.

 

 Ao analisar as causas do movimento, Marini, um dos grandes personagens da intelectualidade brasileira, vai na essência dos fatos. Começa pela base econômica criada pelo ciclo do ouro. Destaca que a atividade mineradora gera, por suas características mais flexíveis e dinâmicas – se comparada à economia açucareira – um vigoroso mercado interno. Surge então, a partir da mineração, uma integração com outras estruturas produtivas do país até então isoladas. Todo esse processo propicia o surgimento, bem no coração do país, segundo o autor, de “um sentimento de nacionalidade” e da aspiração pela liberdade e a justiça.

 

 Marini demonstra, portanto, que é neste contexto de efervescência que nasce a Inconfidência Mineira. O autor destaca no artigo um aspecto central para o entendimento das causas mais profundas da Inconfidência: a destruição de fábricas e a proibição da existência de qualquer manufatura no Brasil, particularmente na área têxtil, decisão tomada em 1785, pela Coroa portuguesa. Ele mostra que na época da eclosão do movimento a mineração já estava em decadência e que, diante desse fato, a metrópole resolve intensificar a exploração, impondo assim uma forte restrição ao desenvolvimento das forças produtivas nascidas na colônia. Essa decisão contraria frontalmente os interesses da população e abre a crise revolucionária, que só terá seu desfecho trinta anos depois.

 

 Mesmo convivendo com algumas influências de setores que subestimam a Inconfidência Mineira e o papel cumprido por Tiradentes no movimento – muito comuns na época da elaboração do artigo, e até hoje – Marini destaca fatos que contestam essas visões. Num trecho de seu texto isso fica claro: “(…) esta data [da Inconfidência] simboliza um episódio decisivo no processo de formação da moderna nação brasileira”. E sobre o papel do alferes ele destaca: “(…) segundo os autos do processo e os testemunhos da época, a serenidade e a firmeza de Tiradentes na prisão e na morte, deixaram profunda impressão na mente do povo e lhe valeram o título de “mártir da Independência (…)”. E é também nesses mesmos autos, citados por Marini, que estão presentes diversos outros testemunhos de que o alferes, ao contrário do que apregoam alguns, não foi apenas um “agitador”, mas foi efetivamente o principal dirigente do movimento revolucionário. Esses documentos mostram que ele foi também o principal formulador do programa que propugnou a Independência, a República, a industrialização, a mudança da capital e o ensino universal. Os setores  mais ilustrados do levante, bem ou mal, seguiram sob sua direção.

 

 É verdade que a abolição não fazia parte dos objetivos dos inconfidentes. Mas, apesar de Marini não citar, a idéia era defendida por Tiradentes e por alguns outros inconfidentes. Ela só não foi colocada no programa porque não era consenso entre os participantes do movimento. Foi por isso que a bandeira abolicionista ficou para um outro momento. Por sua vasta experiência como dirigente político, Marini entende com facilidade que a vanguarda muitas vezes tem que concentrar esforços nos objetivos mais fundamentais para cada momento. Faz parte do papel de direção tomar essas decisões, muitas vezes difíceis, para que as coisas possam avançar. Foi exatamente o que Tiradentes fez. Ademais, apesar de realmente ter havido mais de um delator, foi a traição de Silvério dos Reis, a mais determinante para a derrota do movimento. E se o movimento abolicionista e republicano de meados do século XIX tenha querido dar um tom messiânico a todo o processo, pouca importância tem, perto do conjunto da análise de Marini.

 

 As articulações com os líderes da independência americana e da revolução francesa em busca de apoio, levadas a efeito pelos revolucionários, foram realizadas com a participação direta de Tiradentes e do estudante brasileiro em Coimbra, José Joaquim da Maia. Há provas documentais disso, muitas das quais já tivemos oportunidade de publicar no HP. Neles, fica muito claro que Tiradentes dirigiu praticamente todos os passos do movimento, desde seu início em 1785. Então, a decisão de matá-lo [Tiradentes], e não aos outros, por parte da Coroa, tem sim uma lógica colonialista clara. Não é por ele ser o “elo mais fraco” do movimento que assim ocorreu. Pelo contrário. É exatamente por ele ter cumprido o papel de direção do movimento. Ele foi morto e esquartejado por isso, porque era, para a Coroa, o mais perigoso dos dirigentes da revolução e não porque era o menos.

 

 Mas, vamos parar por aqui essa nossa introdução e convidá-los, caros leitores, para que se deliciem com esse excelente texto de um intelectual mineiro, de Barbacena, que foi desbravador da teoria da dependência e que, junto com Darcy Ribeiro, ajudou a construir a UNB como modelo de universidade progressista e contestadora. Marini, como Tiradentes, foi também um personagem perseguido no Brasil por defender as idéias de independência nacional, da liberdade e do socialismo. Boa leitura!

 

 

 

 

  RUY MAURO MARINI*

 

 

A história dos povos é sempre uma mescla de fantasia e de realidade. O último 21 de abril (1968) marcou o 176º aniversário de morte de uma das figuras mais lendárias da história do Brasil, o Tiradentes. Porém, mais do que representa hoje para a imaginação popular, esta data simboliza um episódio decisivo no processo de formação da moderna nação brasileira.

 

 Com efeito, a conspiração concatenada em 1789 na capitania de Minas Gerais contra a Coroa de Portugal, que passou à história com o nome de “Inconfidência Mineira”, e da qual resultou a execução de Tiradentes, tem um duplo significado. Por um lado, encerra uma fase da conversão da América portuguesa em uma nova nação, fase que corresponde ao chamado “ciclo do ouro”. Por outro lado, se integra na série de lutas políticas que conduzirão, trinta e três anos depois, à supressão do jugo colonial português e à emergência do Brasil para a vida independente.

 

 O CICLO DO OURO

 

 O ciclo da mineração do ouro e diamantes por que passou o Brasil no século XVIII não interessa apenas à história deste país, nem sequer se refere exclusivamente às suas relações com a metrópole portuguesa. O ouro brasileiro, que por intermédio de Portugal, se espalhou pelo mercado europeu, desempenhará um papel relevante no desenvolvimento do capitalismo industrial no velho continente, particularmente na Inglaterra. Proporcionando a base necessária para uma expansão sustentada dos meios de pagamento, contribui para ampliar as relações de trabalho assalariado e, portanto, para a superação das antigas relações feudais de produção. Além disso, sendo responsável pela depreciação constante do valor da moeda, se traduz em baixas de salários e de rendimentos fixos, que aceleram a concentração do capital nas mãos dos grupos empresariais burgueses da cidade e do campo.

 

 Para o Brasil, o florescimento da economia mineira oitocentista tem outras implicações. Antes de mais nada, desenvolve na região central do Brasil uma zona de produção que vincula organicamente as duas áreas que a colonização havia criado nos séculos precedentes: a área da economia açucareira de exportação, já então em decadência, localizada no Nordeste e tendo como centro de gravitação os atuais estados da Bahia e Pernambuco; e a área ligada à Capitania de São Vicente, dedicada principalmente a atividades de subsistência e de criação de animais domésticos, que partia do Rio de Janeiro até o Sul, e tinha São Paulo como núcleo vital. A formação da capitania de Minas Gerais (1720), e o auge que ali atinge a exploração mineira, modifica sensivelmente essa situação; e se constitui num dos fatores que explicam porque, no momento da independência, a antiga colônia portuguesa não sofrerá um processo de fragmentação similar ao que ocorreu na América espanhola.

 

 Com efeito, partindo das montanhas de Minas, e remontando o território no sentido das encostas dos rios, de onde se extraía o ouro e os diamantes, o ciclo da mineração implicou no deslocamento da colonização para o interior, com tudo o que isso acarretava em matéria de criação de uma infra-estrutura de transportes, que ligará a região com os portos mais próximos. Compreende-se assim que a antiga capital brasileira, a cidade de São Salvador, na Bahia, deve ceder seu posto ao Rio de Janeiro, em situação muito melhor para cumprir essa função. Por outra parte, tratando-se de uma atividade altamente especializada, e que lutava inclusive com a escassez de mão de obra, a economia mineira das montanhas não podia prover sua subsistência, mas dispunha de poder de compra suficiente para absorver, e  ainda induzir sua criação em outras áreas; nasce assim um processo intensivo de intercâmbio, que cria as condições para o surgimento de um mercado interno nacional e se constitui, por isso mesmo, num elemento de importância fundamental para a formação da nacionalidade.

 

 A SOCIEDADE MINEIRA

 

 O desenvolvimento da mineração teve outras repercussões. Ao contrário do que se passou com o ciclo do açúcar, que, exigindo uma inversão inicial forte e um prazo relativamente longo de maturação que acabou conduzindo ao estabelecimento de uma aristocracia rural, de base rigidamente escravista, o ciclo do ouro vai levar a uma estrutura social muito mais aberta e urbanizada. De fato, o ouro, como os diamantes, era de aluvião, o que quer dizer que sua exploração não demandava uma tecnologia elaborada ou um capital mínimo de grande magnitude; não implicava sequer a valorização da terra, já que, sendo curta a vida de uma lavra, não era a propriedade do solo o que contava, mas sim a necessidade do direito de extração (e a Coroa Portuguesa, reservando-se o monopólio das riquezas minerais, contribuía para que assim fosse). O caráter instável e os riscos físicos que disso derivavam faziam, por outro lado, com que as famílias não acompanhassem seu chefe, e se fixassem nos centros urbanos.

 

 As oportunidades de enriquecimento fácil que se configuravam nessa situação induziram um surto demográfico considerável, seja pelo deslocamento interno de população, seja por imigração desde o continente europeu. As estimativas indicam que a população da colônia havia crescido muito lentamente nos séculos XVI e XVII (de 100 mil habitantes em 1600 passará a um máximo de 300 mil em 1700), mas aumentou fortemente no século XVIII (cerca de 3 milhões 250 mil pessoas em 1800). Uma terça parte, pelo menos, estava constituída por negros escravos; a população de origem européia era de aproximadamente 30 mil pessoas em 1600, de pouco menos de 100 mil em 1700, e superior a 1 milhão no fim do século XVIII, havendo pois acelerado o seu aumento de maneira extraordinária.

 

Uma das características da corrente imigratória consistia em que já não se compunha fundamentalmente, como antes, de membros das classes ricas, que chegavam na colônia munidos de títulos ou de capital suficiente para prosperar, mas de elementos de extração social mais humilde – havendo contribuído fortemente neste sentido a desorganização das manufaturas portuguesas, acarretada pela penetração crescente dos produtos ingleses na metrópole. Por outro lado, os mesmos nativos pobres, os homens livres da sociedade açucareira do nordeste, que estavam se constituindo num problema social, pela falta de oportunidades de emprego, encontraram nas minas um lugar na estrutura de produção. Os escravos das minas, diferentemente do que ocorreu no nordeste, não se constituíam na maioria da população e – recordando um pouco o que se passou na Grécia antiga, quando da expansão comercial – chegavam às vezes a trabalhar por conta própria, entregando ao senhor parte do adquirido e acumulando os meios necessários para comprar sua libertação.

 

Nos marcos dessa estrutura social relativamente flexível, as atividades urbanas se dinamizaram. O comércio era intenso em Vila Rica, capital da província. Se desenvolvia também o artesanato, sobretudo a ourivesaria, assim como a forja e a fundição de ferro, com base na abundante matéria-prima local. Finalmente, se expandem as manufaturas têxteis, atividade tradicional e indispensável naqueles lugares distantes dos centros industriais europeus.

 

 METRÓPOLE VERSOS COLÔNIA

 

Na fase de expansão açucareira brasileira, Portugal desempenhava um papel decisivo, seja provendo a mão de obra e o capital necessário à implantação das unidades de produção, seja assegurando, em aliança com a Holanda, o transporte e a distribuição do produto nos mercados europeus. Depois de instalada a estrutura produtiva na colônia, esta se demonstrou capaz de prover uma boa parte de sua subsistência, mediante a diversificação da produção, ao mesmo tempo que seguia dependendo da metrópole para a venda de sua mercadoria. Vale dizer que existia uma complementariedade objetiva entre metrópole e colônia, feita ainda mais harmônica em virtude de que Lisboa não interferia nas atividades de produção, limitando-se a atuar na área da circulação.

 

 Diversa será a situação configurada quando há o desenvolvimento da mineração. Antes de mais nada, a especialização deste ramo de produção e o poder de compra que gera na colônia transforma essa em um mercado em expansão para os bens importados, sobretudo manufaturas que Portugal não estava em condições de prover. O papel que assume, pois a metrópole, valendo-se do monopólio colonial, será o de simples intermediário entre os centros manufatureiros – essencialmente Inglaterra – e o mercado brasileiro, com o que se caracterizará claramente como um parasita, cuja existência não faz mais do que encarecer o preço dos artigos de consumo.

 

 Por outro lado, mediante o sistema de concessões e as consequentes obrigações fiscais, a metrópole estará diretamente presente nas atividades de produção. Sua atitude é intolerante e voraz: reservando-se, inicialmente, um quinto da produção total, acaba por fixar uma quantidade determinada como mínimo a que deveria se somar ao referido quinto. Desta maneira, a porcentagem passava a representar um valor absoluto que tendeu a fixar-se no máximo previsto pelo erário português para a colônia na fase do auge da exploração aurífera.

 

 Contudo, esse auge durou pouco, pelo esgotamento das precárias reservas disponíveis, tanto de ouro como diamantes. Com a ganância de prolongar o ciclo, as expedições exploratórias se internalizaram terra adentro, rasgando a região em diferentes direções, conformando e consolidando a extensão territorial do Brasil atual. Isso não impediu que a exportação de ouro, que no seu ponto máximo (1750-1760) era em média de 2 milhões de libras, declinasse rapidamente, não alcançando, já em 1780, nem um milhão de libras; a exportação de diamantes seguiu a mesma tendência. A economia mineira entrará definitivamente em decadência e, até finais do século, não terá já maior importância na vida econômica da colônia.

 

 Assim não viu, o que não quis ver, Portugal. Frente à caída dos ingressos públicos provenientes das imposições sobre o ouro, reage, por um lado, tratando de liberar mão de obra para as atividades de mineração (no momento em que a redução dessas atividades produzia já um excedente da mão de obra existente); por outro lado, endurecendo as medidas administrativas, como se a queda da produção fosse mais um problema policial. Assim, em 1766, proíbe as atividades das oficinas de ourives e, em 1785, vai todavia mais longe, suprimindo as fábricas e manufaturas de todo tipo na colônia. Ao mesmo tempo, lança mão de um procedimento conhecido como “derrama”, que consistia na execução judicial e o confisco dos bens de quem não estivesse em condições de pagar os impostos em ouro.

 

 A INCONFIDÊNCIA MINEIRA

 

 A última “derrama” anunciada por Portugal, em 1789, constitui precisamente na causa imediata da Inconfidência Mineira, movimento conspiratório no qual se mesclam ideais políticos e interesses pessoais ameaçados. Deficientemente planejado, carente de direção e falhas em sua organização, o movimento arrasta, sem dúvida, a personalidades representativas do meio cultural, político, militar e religioso da capitania, e – segundo alguns documentos sugerem – conta não somente com o apoio de comerciantes locais e do Rio de Janeiro, como também com amplas simpatias populares. Se explica assim que, alarmada pelo curso dos acontecimentos, a metrópole, ao mesmo tempo que aplastra no nascedouro a conspiração, suspende também a ordem da “derrama” e abandona definitivamente essa prática no futuro.

 

 Mesmo que não falte documentação sobre a Inconfidência, e existam inclusive bons estudos sobre a matéria, a fantasia histórica tem retocado consideravelmente sua imagem. De uma maneira geral, e talvez involuntariamente, tem se dado traços que aproximam o martírio de Tiradentes à Paixão de Cristo. Isto aparece na redução dos conjurados a 13, quando o processo judicial alcançou a 29 pessoas (das quais três morreram no curso do mesmo) e as condena, a onze; é visível também na eleição de Judas, o coronel português Joaquim Silvério dos Reis, apesar de que a história registra pelo menos dois nomes mais de denunciantes; se cristaliza enfim o retrato de Tiradentes, com sua túnica branca de condenado, com seus cabelos longos e as largas barbas de profeta bíblico.

 

 É, com efeito, na caracterização do alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, que a lenda adquire toda a sua dimensão. O exame dos fatos tende a mostrar que esse humilde oficial – que tinha também a profissão de dentista (de onde vem o apelido de “Tiradentes”), – foi na conjura mais um enlace e um agitador, que um dirigente ou um organizador. Este é, porém, o papel que lhe é atribuído pela história.

 

 A atitude da Coroa portuguesa no processo judicial contribuiu, sem dúvida, para isso, já que lançou toda a sua força repressiva contra esse elo mais frágil da cadeia conspirativa: a todos os condenados indultou com o exílio, a ele o condenou “à morte natural para sempre”, na forca, ao esquartejamento, e a exibição pública de seus restos, para servir de lição. Também é verdade que, segundo os autos do processo e os testemunhos da época, a serenidade e a firmeza de Tiradentes na prisão e na morte, deixaram profunda impressão na mente do povo e lhe valeram o título de “mártir da Independência”. Qualquer que seja a verdade, Tiradentes se converteu, postumamente, na figura máxima e no símbolo das aspirações brasileiras à liberdade.

 

 O MITO E A REALIDADE

 

 Se passa muitas vezes ao largo o fato de que, em seu plano programático, os inconfidentes estiveram sob influência de alguns movimentos precedentes, já que postulavam a separação de Portugal e a instituição da república. A simpatia de seus elementos mais cultos pelo ideário dos revolucionários franceses não foi suficiente para levá-los a preconizar também a supressão do regime escravo. Por outro lado, a dupla meta que propunham – independência e república – só posteriormente foi aceita pela ideologia oficial brasileira, já que a independência conquistada em 1822 não conduziu a um regime republicano, senão a uma monarquia. A consigna republicana da Inconfidência teve que esperar, pois, até 1889, ou seja, um século, para ser reconhecida oficialmente.

 

 As características do movimento de 1789 explicam que tenha sido visto normalmente com desconfiança nas esferas governamentais, e que as correntes políticas de vanguarda o tenham sempre tomado como bandeira contra o status quo. Foi o que ocorreu em meados do século passado (XIX), no reinado de D. Pedro II, quando a monarquia tentou inutilmente opor-se ao movimento de opinião republicana, forte principalmente entre a juventude universitária, que buscou reavivar a memória de Tiradentes construindo-lhe um monumento no Rio de Janeiro. É o que se passa em nossos dias, quando o atual regime militar se irrita visivelmente sempre que as manifestações de homenagem a Tiradentes escapam do marco oficial, e se enfatiza o caráter libertador e anti-colonialista da Inconfidência Mineira.

 

 É por isso que, a quase dois séculos de sua morte, Tiradentes continua ameaçadoramente erguido frente às forças da exploração e da opressão. Na história, a fantasia pode ser, com efeito, mais real que os fatos mesmos, já que ao reivindicar seu passado, o povo o faz à medida das lutas presentes, projeta sobre ele suas esperanças e suas aspirações e o converte em ação. Mais do que conservar a história, se preocupa em faze-la, e é como a transforma em força viva de mudança e em parteira de um mundo melhor.

 

*Publicado originalmente em El Día, Testimonios y Documentos, México, em 15 mayo de 1968

 

Fonte: Sérgio Cruz, Hora do Povo

 

Manifestação denuncia roubo da merenda no metrô Tatuapé

 

“Cadê minha merenda? Tucano seu safado! Estudo o dia inteiro e não roubo o meu Estado”, cantavam os estudantes no metrô Tatuapé, durante a manifestação realizada na manhã de terça (19), na zona leste, para denunciar o escândalo da merenda em São Paulo. Para o presidente da UMES, Marcos kauê, “o governo vem sucateando cada vez mais a escola pública. Sucateou através da aprovação automática, da superlotação das salas de aula e da desvalorização dos salários dos professores. Agora sucateia nossa educação roubando nossa merenda e isso não vamos aceitar! Vamos pra rua pedir justiça e exigir merenda e escola pública de qualidade”.

 

 

Para Kauê o programa de educação dos tucanos para o Estado de São Paulo é o corte continuo dos recursos da educação. “O plano de educação de Alckmin para São Paulo é o sucateamento da escola pública. Por isso tantas aulas vagas. Escolas sem laboratórios e quadras, com professores mal remunerados. Desafio a todos os alunos presentes a me dizer que durante a semana não tiveram ao menos uma aula vaga”.

 

 

A manifestação saiu da ETEC Parque Belém, com apoio do grêmio da ETEC Getúlio Vargas, com estudantes da ETEC Rocha Mendes e alunos da escola Oswaldo Catalano. Pela Avenida Celso Garcia os estudantes marcharam até a escola Catalano, onde realizaram um ato e de lá seguiram para o metrô Tatuapé, onde cantaram diversas palavras de ordem e conversaram com diversos passageiros. Ao exigir a instalação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar, para punir os deputados e demais ladrões da merenda, os estudantes cantavam “ão, ão, ão, CPI pega ladrão”.

 

 

Durante o ato realizado em frente a escola Catalano os estudantes, de dentro da escola, demonstraram seu apoio e cantavam: “nós apoiamos!”

 

A diretora da UMES da região centro, Tais Alves, explicou que os alunos da escola Professor Loureiro Júnior foram impedidos de participar da manifestação. “A direção da escola aterrorizou os alunos para que eles não participem, alegando que não é obrigação do estado dar merenda pra criança, porém ignorando o escândalo de corrupção”, relatou. Para ela, esta tem sido a postura da direção de muitas escolas com relação a exigência dos estudantes por respeito e educação de qualidade. Algumas escolas chegam a ameaçar afirmando que vão intervir no grêmio.

 

 

Para Tais “a manifestação deixou ainda mais claro para a população de que a voz dos estudantes é maior do que qualquer política que corte dos nossos direitos. Quando cantamos palavras de ordem no metrô, a população nos apoiou e tomou ainda mais consciência”, comentou a estudante.

 

Para o presidente do grêmio da ETEC GV e diretor da UMES pelo centro, Lucas Chen, as manifestações dos estudantes estão crescendo e cada vez mais fica difícil para o governo esconder esse escândalo. “Os estudantes são contra esse governo que rouba merenda e corta da educação, e a população está com a gente”. Na semana passada, durante uma manifestação no Ipiranga, ele afirmou que os estudantes querem uma escola pública de qualidade. “Estamos aqui para exigir mais investimentos na educação. É inaceitável esse descaso com a escola pública que revela na verdade o tratamento destes políticos com a juventude. Descaso que levou ao roubo da nossa merenda para pagar propina. Um esquema que envolve o ex-chefe de gabinete da Secretaria de Educação de Alckmin [Fernando Padula] ou o atual presidente da Assembleia dos Deputados de São Paulo [Fernando Capez], que foi eleito na chapa de Alckmin”, denunciou.

 

 

A manifestação foi organizada pelos estudantes da ETEC Parque Belém em conjunto com a diretoria da UMES e demais escolas e ETECs. Bruno Fernandes, estudante do 2º ano do ensino médio e da imprensa do grêmio, denunciou que o roubo da merenda deixou em evidência diversos problemas que já existiam. “Em nossa escola a merenda é três barrinhas de cereal e três suquinhos, que recebemos para comer durante toda a semana”, disse, explicando que além de não alimentar a merenda seca distribuída na escola não rende para todos os dias.

 

Para Isabella Santos, do 2º ano do médio da ETEC Parque Belem, “o Estado não dá as condições necessárias para a juventude estudar e ainda corta da merenda e da nossa educação”. Já a estudantes Beatriz Dantas, do 3º ano do ensino médio, denunciou que além de não dar merenda o Estado terceiriza a cantina, que possui péssima qualidade e preços abusivos. Ela lembrou que a escola foi construída sob uma antiga instalação da antiga Febem, sem maiores adaptações para funcionar como uma escola.  

 

Operação Alba Branca

 

O escândalo da merenda veio a público através da Operação Alba Branca, dirigida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo, que investiga os desvios na compra de alimentos da rede paulista de ensino. Nos depoimentos colhidos durante a ação policial foram citados agentes públicos como Fernando Capez (PSDB), o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo estadual, Luiz Roberto dos Santos, conhecido como Moita, e o atual secretário de Logística e Transporte, Duarte Nogueira Júnior, ex-secretário de Agricultura.

 

De acordo com o MP, a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) liderava um esquema de pagamento de propina para manter contratos com diversas prefeituras, com valores superiores a R$ 1 milhão, bem como contrato com o governo do estado. A empresa também é investigada por fraudar a modalidade de compra “chamada pública”, que pressupõe a aquisição de produtos de pequenos produtores agrícolas. De acordo com o Ministério Público a cooperativa adquiria mercadorias de grandes produtores e na central de abastecimento do estado.,

 

 

 

 

 

Prêmio Paulo Freire 2016

 

O Prêmio Paulo Freire de Qualidade de Ensino Municipal é entregue anualmente na Câmara Municipal de São Paulo, e este ano será a sua décima primeira edição. “É um prêmio que estimula e valoriza as iniciativas de estudantes e educadores das escolas, que mesmo com todas as dificuldades, levam adiante os ideais de Paulo Freire para construir uma educação emancipadora”, disse Tiago Cesar, vice-presidente da UMES, que compôs a mesa solene durante a premiação de 2015, assim como também integrou o Comissão Julgadora em nome da UMES.

 

 

 

Saiba como participar

 

 

As inscrições serão efetuadas mediante a entrega de CD, DVD ou pen drive, devidamente identificados, contendo:

 

a) Formulário de inscrição preenchido (para download do arquivo clique aqui);

 

Para maiores informações acesse o site da Câmara Municipal de São Paulo.

 

b) Anexos, a fim de ilustrar e enriquecer a avaliação da Comissão Julgadora. São permitidos como anexos: textos (até 10 páginas), filmes e/ou gravações de áudio (limitados a 10 minutos) e fotos (limitadas a 20), gravados em CD/DVD/pen drive. O material que exceder o disposto neste item não será encaminhado à avaliação da comissão.

 

Obs.: Não será aceito nenhum material impresso.

 

As inscrições poderão ser efetuadas até as 19h do dia 15 de julho de 2016 e deverão ser entregues à Equipe de Eventos da Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jacareí, 100 – 3º andar, sala 321, Bela Vista – São Paulo – CEP 01319-900. NÃO HAVERÁ PRORROGAÇÃO.

 

Serão aceitas inscrições por Correio, com aviso de recebimento para o endereço acima, até o último dia de prazo, mediante correspondência registrada.

 

 

 

 

Base de Alckmin na Assembleia trava investigações sobre a máfia da merenda

 

Mais uma vez a bancada de apoio ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) impediu o prosseguimento das investigações da máfia da merenda na Assembleia Legislativa. Depois de três reuniões sem quórum, a Comissão de Educação e Cultura previa, nesta terça-feira (19), analisar os 16 requerimentos convocando os envolvidos na máfia, porém, o deputado estadual e líder do PSDB, Carlão Pignatari, pediu novo prazo para analisar todos os pedidos. Com isso, postergou por mais algumas semanas a discussão.

 

Além de evitar na Assembleia a apuração dos supostos desvios de verba nos contratos da merenda escolar, deputados governistas ainda foram agressivos com estudantes que acompanhavam a sessão. Alguns parlamentares chegaram a pedir que os jovens "calassem a boca".

 

Desde fevereiro, muitos deputados acusam que integrantes da Comissão de Educação ligados a Alckmin têm feito "manobras" para evitar que o tema seja discutido no plenário. "Os deputados governistas na Assembleia fazem de tudo para evitar a apuração. Desde o começo do ano estamos buscando cumprir o nosso papel de deputado e realizar a investigação", disse a deputada e integrante da Comissão de Educação, Marcia Lia.

 

Entre os 16 requerimentos, que ainda não foram discutidos pela Comissão, estão a convocação do secretário de Educação, José Renato Nalini; do ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, além do acesso à documentos que envolvam a parceria entre o governo do Estado e a empresa responsável pela merenda escolar, a Coaf (Cooperativa Orgânica da Agrícola Familiar).

 

CPI

 

Além da tentativa de apurar a máfia da merenda na Comissão de Educação, os deputados de oposição, até agora não conseguiram as 32 assinaturas necessárias para instaurar a CPI da Merenda da Assembleia Legislativa.

 

Até o momento, 23 deputados assinaram o pedido de abertura da investigação.

 

Entenda a máfia

 

A Polícia Federal e o Ministério Público investigam o esquema de superfaturamento e pagamento de propina em contratos de fornecimento de merenda escolar no governo de Alckmin.

 

Uma das investigações é o possível desvio de 10% a 25% do valor das contratações. A Coaf, responsável por parte dos alimentos fornecidos às escolas, supostamente repassava valores a deputados federais, estaduais e funcionários do governo Alckmin.

 

A Justiça já determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal do presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Fernando Capez (PSDB), e de dois ex-assessores do governo de Geraldo Alckmin. "Está ficando insustentável para o presidente da Assembleia. O PSDB tenta em todas as frentes impedir a investigação. Nós vamos buscar em todos os meios possíveis a apuração do caso", avaliou o deputado Teonilio Barba.

 

 

Mostra Permanente de Cinema Italiano da UMES

 

 

No próximo dia 2 de maio, segunda, terá início a Mostra Permanente de Cinema Italiano Do Cine-Teatro da UMES. As sessões serão exibidas todas as segundas, às 19 horas, com entrada gratuita. Participe!

 

 

Uma das mais importantes cinematografias do mundo, a italiana, já quase não é vista nas telas de cinema e televisão do Brasil, cada vez mais abarrotadas de subprodutos da indústria hollywoodiana.

 

Enquanto o governo insiste em não realizar uma política cultural que garanta aos brasileiros o acesso às melhores obras da produção cinematográfica mundial, inclusive a nossa, a UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo) vai fazendo o que pode para preencher a lacuna.

 

Situado no coração do Bixiga (Rua Rui Barbosa 323 – Sede Central da UMES), o Cine-Teatro Denoy de Oliveira inicia no dia 2 de maio uma mostra permanente de filmes italianos, que serão exibidos sempre às segundas-feiras, às 19h, com entrada franca.

 

A mostra começa com uma retrospectiva de oito filmes do grande diretor Ettore Scola, falecido em janeiro deste ano, e prossegue até a primeira semana de dezembro apresentando uma sequência de obras de Vittorio de Sica, Bernardo Bertolucci, Roberto Rossellini, Francesco Rosi, Mario Monicelli, Pietro Germi, Lucino Visconti, Federico Fellini, Elio Petri, Giuliano Montaldo e Marco Bellocchio.

 

Em 2017 tem mais. E em 2018, 2019, 2020…

 

 

 

Cine-Tetro Denoy de Oliveira -Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista, tel. 3289-7475

 

 

 

 

Confira a programação de 2016
 
(02/05) O Baile – Ettore Scola (1982), 112 min.
(09/05) Splendor – Ettore Scola (1989), 110 min.
(16/05) Que Estranho Chamar-se Federico – Ettore Scola (2011), 90 min.
(23/05) Feios, Sujos e Malvados – Ettore Scola (1976), 115 min.
(30/05) O Terraço – Ettore Scola (1980), 150 min.
(06/06) Concorrência Desleal – Ettore Scola (2000), 105 min.
(13/06) Um Dia Muito Especial – Ettore Scola (1977), 108 min.
(20/06) Nós Que Nos Amávamos Tanto – Ettore Scola (1974), 126 min.
(27/06) Ladrões de Bicicletas – Vittorio De Sica (1948). 90 min.
(04/07) Umberto D – Vittorio de Sica (1952), 89 min.
(11/07) O Jardim dos Finzi-Contini – Vittorio Sica (1970), 123 min.
(18/07) O Conformista – Bernardo Bertolucci (1976), 107 min.
(25/07) Antes da Revolução – Bernardo Bertolucci (1976), 115 min.
(01/08) Roma, Cidade Aberta – Roberto Rossellini (1945), 97 min.
(08/08) De Crápula a Herói – Roberto Rossellini (1945), 138 min.
(15/08) A Trégua – Francesco Rosi (1996), 125 min.
(22/08) O Caso Mattei –- Francesco Rosi (1971), 114 min.
(29/08) Os Companheiros – Mario Monicelli (1963), 126 min.
(05/09) Os Eternos Desconhecidos – Mario Monicelli (1958), 106 min.
(12/09) Divórcio à Italiana – Pietro Germi (1961), 108 min.
(19/09) O Ferroviário – Pietro Germi (1956), 101 min.
(26/09) Rocco e Seus Irmãos – Luchino Visconti (1960), 180 min
(03/10) O Leopardo – Luchino Visconti (1963), 205 min.
(10/10) Amarcord – Federico Fellini (1973),
(17/10) A Doce Vida – Federico Fellini (1960), 160 min.
(24/10) A Classe Operária Vai Ao Paraíso – Elio Petri (1971), 112 min.
(31/10) Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita – Elio Petri (1970), 112 min.
(07/11) Juízo Final – Elio Petri (1976), 120 min.
(14/11) Sacco e Vanzetti – Giuliano Montaldo (1971), 120 min.
(21/11) Giordano Bruno – Giuliano Montaldo (1973), 123 min.
(28/11) Bom Dia, Noite – Marco Bellocchio (2003), 105 min.
(05/12) Vencer – Marco Bellocchio (2009), 128 min.

 

 

 

Diretores apresentados nesta programação

 

Ettore Scola

Vittorio De Sica

Bernardo Bertolucci

Roberto Rossellini

Francesco Rosi

Mario Monicelli

Pietro Germi

Lucino Visconti

Federico Fellini

Elio Petri

Giuliano Montaldo

Marco Bellocchio

 

 

 

Ettore Scola (1931-2016)

Ettore Scola nasceu em Trevico, Itália. Ingressou na indústria cinematográfica como roteirista em 1953. Escreveu para Steno ("Um Americano em Roma", 1954), Luigi Zampa ("Gli Anni Ruggenti", 1962), Dino Risi ("Il Sorpaso", 1962). Dirigiu seu primeiro filme, "Vamos Falar Sobre as Mulheres", em 1964. Obteve reconhecimento internacional com "Nós Que Nos Amávamos Tanto" (1974), um tocante painel da Itália do pós-guerra. Em 1976, ganhou o Prêmio de Melhor Direção no 29º. Festival de Cannes, com "Feios, Sujos e Malvados". Desde então, realizou vários filmes de sucesso, incluindo "Um Dia Muito Especial" (1977), "Casanova e a Revolução" (1982), "O Baile" (1983), “Spendor” (1987), "O Jantar" (1998), "Concorrência Desleal" (2000). Em 2011 dirigiu “Que Estranho se Chamar Federico”, uma homenagem ao amigo Federico Fellini.

 

Vittorio De Sica (1901-74)

Diretor, ator, escritor e produtor, Vittorio De Sica nasceu em Sora, mas cresceu em Nápoles e começou a trabalhar cedo como auxiliar de escritório, para sustentar a família. Sua paixão pelo teatro levou-o aos palcos. Ao final da década de 20, ele fazia sucesso como ator. Em 1933, montou sua própria companhia.

De Sica voltou-se para o cinema em 1940. Ao amadurecer, tornou-se um dos fundadores do neorrealismo, emplacando uma sequência de quatro clássicos que figuram em todas as antologias: “Vítimas da Tormenta” (1946), “Ladrões de Bicicletas” (1948), “Milagre em Milão” (1950), “Humberto D” (1951) – os dois primeiros realizados em parceria com o escritor Cesare Zavattini, outro papa do movimento. Também dirigiu "O Juízo Universal" (1961), “La Rifa” (1962, episódio de “Decameron 70”), “Ontem, Hoje, Amanhã” (1963), “O Ouro de Nápoles” (1964), “Matrimônio à Italiana" (1964), “Girassóis da Rússia” (1970), “Jardim dos Finzi-Contini” (1970), “Amargo Despertar” (1973).

 

Bernardo Bertolucci (1941)

Filho do poeta e crítico de cinema Attilio Bertolucci, Bernardo Bertolucci nasceu em Parma. Começou cedo, ainda no final dos anos 50, quando realizou seus primeiros curta-metragens em 1959 e 1960. Em 1961, frequentou a Universidade de Roma onde começou o curso de Literatura Moderna após trabalhar como assistente de direção em "Accattone", de Pier Paolo Pasolini. Estreou como diretor em 1962 com o longa "A Morte".

Conhecido por sua versatilidade, Bertolucci tem entre suas obras "Antes da Revolução" (1964); o clássico "O Conformista" (1970), livre adaptação do livro homônimo de Alberto Moravia; o polêmico "O Último Tango em Paris" (1972), com Marlon Brando e Maria Schneider; o épico "1900", conhecido como o mais grandioso filme de sua carreira. Também se destacam, o multipremiado "O Último Imperador" (1987),  "O Céu que Nos Protege" (1990) e "Os Sonhadores" (2003).

 

Roberto Rossellini (1906-77)

Nascido em Roma, Roberto Rossellini realizou, em 1945, a obra tida como marco zero do neorrealismo, movimento que influenciou as correntes estéticas do pós-guerra, desde Godard e Satyajit Ray até o Cinema Novo brasileiro. Seu pai era proprietário do cine-teatro Barberini. Nos anos 30, quando a família teve os bens confiscados pelo governo fascista, Rossellini ganhou a vida na indústria cinematográfica e chegou a obter sucesso com filmes encomendadas pelo regime. Ao mesmo tempo, registrava em segredo as atividades da Resistência. Nos últimos dias da ocupação nazista, o diretor levou a câmera às ruas para captar a insurreição popular que libertou a cidade em jumhp de 1944. Nascia o clássico “Roma, Cidade Aberta” (1945), baseado no roteiro que criou em parceria com Sergio Amidei e Federico Fellini.

Entre suas obras estão “Paisá” (1946), “Alemanha Ano Zero” (1948), “Stromboli” (1949), “Europa 51” (1952), “Romance na Itália” (1953), “Joana D’Arc (1954), “Índia: Matri Bhumi” (1959), “De Crápula a Herói” (1959), “Era Noite em Roma” (1960).

Nos anos 60-70, com foco na TV, fez filmes sobre personagens históricos, a começar por Giuseppe Garibaldi, “Viva a Itália” (1961). Nesta safra se incluem “A Tomada do Poder por Luís XIV” (1966), “Sócrates” (1971), “Blaise Pascal” (1971), “Santo Agostinho” (1972),   “Descartes” (1974), “Anno Uno” (1974), “O Messias” (1975).

 

Francesco Rosi (1922)

Nascido em Nápoles, o cineasta Francesco Rosi estudou Direito. No inicio dos anos 40 trabalhou no rádio como jornalista. Ingressou na indústria cinematográfica em 1948, foi assistente de vários cineastas, entre os quais Luchino Visconti com quem fez “La Terra Trema” (1948), “Belíssima” (1951) e “Senso” (1956). Sua carreira de diretor, marcada por obras de grande empenho social e político, começou em 1958 com “O Desafio”. Tem entre seus filmes grandes sucessos como “O Caso Mattei” (1972), “Lucky Luciano” (1973) e “Cadáveres Ilustres” (1976). Recebeu o Urso de Prata de Melhor Diretor em 1962 por “Bandido Giuliano” e o Prêmio de Ouro do 11° Festival de Moscou, de 1979 por “Cristo Parou em Eboli”. Em 2008 foi homenageado no Festival de Berlim com um Urso de Ouro pelo conjunto da obra.

 

Mario Monicelli (1915-2010)

Crítico cinematográfico desde 1932, de 1939 a 1949 colaborou em cerca de 40 filmes, como argumentista, roteirista e assistente de direção. O começo de seu trabalho como diretor ocorre em 1949, em parceria com Stefano Vanzina, em "Totò Cerca Casa". A colaboração dos dois diretores deu origem a oito filmes, dentre os quais os célebres "Guardie e Ladri" (1951) e "Totò a Colori" (1952). Em 1953 inicia o trabalho solo. "Os Eternos Desconhecidos" (1958), com elenco composto por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, é considerado o primeiro do filão da commedia all`italiana. Em 1959, "A Grande Guerra" ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza e rendeu sua primeira indicação ao Oscar. A segunda viria em 1963, com "Os Companheiros". Diversas outras películas merecem destaque, em sua carreira de mais de 60 filmes: “O Incrível Exército de Brancaleone” (1966), “Meus Caros Amigos” (1975), “Um Burguês Muito Pequeno” (1977), “Quinteto Irreverente” (1982).

 

Pietro Germi (1914-74)

Nascido em Gênova, filho de um operário e uma costureira, Pietro Germi estudou teatro e direção em Roma no Centro Experimental de Cinematografia. Durante os estudos trabalhou como ator, assistente de direção e roteirista. Colaborou em grande parte dos roteiros dos filmes que dirigiu, e inclusive atuou em alguns deles. Após alcançar sucesso com dramas populares de corte neorrealista, passou a escrever e dirigir comédias satíricas. Tem entre suas obras "A Testemunha" (1945); "Em Nome da Lei" (1949); "Caminho da Esperança" (1950); "O Ferroviário" (1956); "O Homem de Palha” (1957); "Divórcio à Italiana" (1961), premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Original; "Seduzida e Abandonada" (1963) e "Senh oras e Senhores" (1965), premiados no Festival de Cannes e, na Itália, com o David di Donatello.

 

Luchino Visconti (1906-76)

Luchino Visconti di Modrone, conde de Lonate Pozzolo, nasceu em Milão e descende da família Visconti da antiga nobreza italiana. Começou seu trabalho no cinema como assistente do diretor Jean Renoir nos filmes “Toni” (1934), “Les Bas-Fonds” (1936) "Partie de Campagne" (1936). Ingressou no Partito Comunista d'Italia em 1942. Seu primeiro filme como diretor foi "Obsessão" (1943). Voltou-se em seguida para o teatro. Em 1948, realizou “La Terra Trema”, um clássico do cinema neorrealista. Recebeu sua primeira premiação no Festival de Veneza (Leão de Prata), em 1957, pelo filme "As Noites Brancas" – baseado em conto de Fiodor Dostoievski. Em 1960, chega aos cinemas "Rocco e Seus Irmãos" e, em 1963, o mais aplaudido de seus trabalhos, "O Leopardo", adaptação do romance de mesmo nome de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Depois vieram “As Vagas Estrelas da Ursa” (1965), “O Estrangeiro” (1967), “Os Deuses Malditos” (1969), "Morte em Veneza" (1971), "Ludwig" (1972), "Violência e Paixão" (1974) e "O Intruso" (1976).

Visconti assina também a direção de 42 peças teatrais e 20 óperas encenadas entre 1945 e 1973.

 

Federico Fellini (1920-93)

Nascido e criado em Rimini, região da Emilia-Romagna, Fellini se mudou para Roma, em 1939, e começou a ganhar a vida escrevendo e desenhando caricaturas na revista semanal Marc’Aurelio – vários desses textos foram adaptados para uma série de programas de rádio sobre os recém-casados “Cico e Paullina”. Estreou no cinema, em 1942, redigindo histórias para o comediante Aldo Fabrizzi. Em 1943, casou-se com a atriz Giulietta Masina – vencedora no Festival de Cannes por sua participação em “Noites de Cabíria”, filme dirigido pelo próprio Fellini em 1957. A partir de 1945, colaborou intensamente como roteirista com três dos principais criadores do movimento neorrealista (Roberto Rosselini, Alberto Lattuada, Pietro Germi), antes de desenvolver um estilo alegórico e barroco que se tornou sua marca registrada.

Fellini participou da elaboração de 51 roteiros e dirigiu 25 filmes, entre os quais “Os Boas Vidas” (1953), “Estrada da Vida” (1954), “Noites de Cabíria” (1957), “A Doce Vida” (1960), “8 ½” (1963), “Amarcord” (1973), “Ensaio de Orquestra” (1978).

 

Elio Petri (1929-82)

Um dos mais fascinantes e irreverentes diretores de toda a Europa, o romano Elio Petri dirigiu os clássicos "Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita" (1970), "A Classe Operária Vai ao Paraíso" (1972) e "Juizo Final" (1976). Começou a carreira como crítico de cinema do L'Unità, jornal do Partido Comunista Italiano. Escreveu roteiros para Giuseppe De Santis, Carlos Lizzani e Dino Risi. Estreou na direção com "O Assassino" (1961). Realizou 13 longas, entre os quais "A Décima Vítima” (1965), "Condenado Pela Máfia" (1967), "A Propriedade não é mais um Furto" (1973), "A Boa Notícia" (1979). Seu cinema político combinava a abordagem marxista com uma alta capacidade cinematográfica na utilização de gêneros e estilos diversos, contribuindo para o debate do período, com observações sobre a sociedade e o poder, explorando questões sociais ainda hoje relevantes, como o crime organizado, a relação entre autoridades e cidadãos, o papel do artista, os direitos de classe e o consumismo.

 

Giuliano Montaldo (1930)

Nascido em Genova, Giuliano Montaldo fez sua estréia como diretor com “Tiro Al Piccione” (1960), um filme sobre a Resistência Partisan. Seu segundo filme, “Una Bella Grinta”, estrelado por Norma Benguel, sobre um alpinista social durante a época do “milagre econômico italiano”, ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Berlim (1965). Naquele ano, também dirigiu a segunda unidade da obra-prima de Pontecorvo “A Batalha de Argel”. Depois de ter filmado para a Paramount, nos EUA, voltou à Itália para realizar “Gott Mit Uns” (1969), “Sacco E Vanzetti” (1971) e “Giordano Bruno” (1973). Com “Agnes Vai Morrer” (1976), retomou o tema da Resistência. Em seguida, voltou-se para a televisão, tendo dirigido, entre outras, a série Marco Polo (1982). Entre 1999 e 2003, foi presidente da RAI Cinema. Seus filmes mais recentes são: “Os Demônios de São Petersburgo” (2008), o documentário “O Ouro de Cuba” (2009) e “O Industrial” (2011).

 

Marco Bellocchio (1939)

Bellocchio nasceu em Bobbio, Emilia-Romagna. Estudou cinema em Roma, no Centro Experimental de Cinematografia (1959-62), e depois em Londres. De volta a Itália, dirigiu, com a idade de 26 anos, seu primeiro filme, o polêmico e inconformista “De Punhos Cerrados” (1965), que é até hoje uma de suas obras mais assistidas. Realizou cerca de 30 longas, entre os quais se incluem “La China È Vizina” (1967), “Nel Nome del Padre” (1972), “Sbatti Il Mostro In Prima Pagina” (1972), “A Gaivota” (1977), “Diabo no Corpo” (1986), “Il Sorriso de Mia Madre” (2002), “Bom Dia, Noite” (2003), “Vencer” (2009), “Bella Addormentata” (2012).

 

Grêmio da escola Ana Siqueira convoca manifestação contra roubo da merenda

 

A chapa “ASS Elite”, que disputou o grêmio da escola Prof. Ana Siqueira da Silva e tomou posse semana passada, convocou manifestação para denunciar o escândalo da merenda no próximo dia 25 de abril. A chapa foi eleita semana passada após intenso período de campanha envolvendo cinco concorrentes, disputa que teve início no dia 7 de abril, com a realização de eleições durante os dias 12 e 13.

 

No processo eleitoral a candidata a presidente, Luana Santos (2°B), em conjunto com os demais membros da chapa, realizaram diversas passagens em sala e debates com os alunos para apresentar suas propostas, que além de defender som no intervalo, atividades culturais e uma campanha do grêmio contra a dengue, também denunciaram a falta de merenda nas escolas de São Paulo.

 

 

Para a estudante Bianca Antonini (1º G), da comissão eleitoral e agora apoiadora do grêmio, o processo eleitoral foi muito vivo e disputado. “Eram cinco chapas, além da ‘Ana Siqueira da Silva – Elite [ASS-Elite]’ participaram a ‘Quente’, ‘Geek’, ‘Revolução Escolar’ e a ‘Ventura’, que perdeu por 36 votos”, explicou. “Agora estamos todos mobilizados para a manifestação do dia 25, onde vamos denunciar e mobilizar as escolas da região contra o roubo da merenda”.

 

 

A manifestação terá início às 6:45 da manhã na Ana Siqueira, e de lá os estudantes seguirão em manifestação pelas escolas Leônidas, Oscar Dias e CEU Pereira Marmelo, todas na região. O encerramento será também na escola Ana Siqueira. Durante as próximas semanas o grêmio realizará diversas panfletagens para preparar a manifestação.

 

Lobista implica Fernando Capez em delação

 

“Tive dois encontros com Fernando Capez”, afirmou lobista Marcel Julio em delação da Máfia da Merenda

 

Marcel Ferreira Júlio, lobista acusado de ser operador da máfia da merenda que fraudava licitações em pelo menos 22 cidades de São Paulo, disse em delação premiada que se encontrou duas vezes com o deputado Fernando Capez (PSDB) em 2014. O lobista estava foragido da justiça desde dezembro, e se entregou após fechar acordo de delação premiada para conseguir escapar da prisão. Ele atuava para a cooperativa Coaf.

 

Em um dos encontros, disse ter visto Capez ligar para a Secretaria Estadual da Educação para agilizar um contrato da Coaf e, em seguida, sinalizar que queria dinheiro para sua campanha.

 

De acordo com o lobista, os encontros foram realizados no escritório político de Capez, sendo intermediados por Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, assessor próximo do deputado.

 

Conforme a delação, Capez, hoje presidente da Assembléia Legislativa, usou seu celular para ligar para Fernando Padula, então chefe de gabinete da Secretaria da Educação.

 

Fernando Padula já era investigado no caso após ter sido citado em um grampo realizado pela polícia em dezembro. O grampo mostrou Luiz Roberto dos Santos, o Moita, ex-chefe de gabinete da Casa Civil, explicando ao lobista Marcel como aumentar os ganhos no contrato com a Educação.

 

“Acabei de falar com o Padula e ele entende, assim como eu, que não é aditivo, é reequilíbrio econômico”, disse Moita na conversa grampeada.

 

Em 2014, no mesmo ano que o lobista diz ter se encontrado com Capez, a Coaf havia vencido uma chamada pública (tipo de licitação) para fornecer suco de laranja para a merenda, mas o governo cancelara o contrato, sem dar explicações.

 

Segundo a delação, foi então que Capez ligou para Padula. Meses depois, houve uma nova chamada pública, vencida novamente pela Coaf, no valor de R$ 8,5 milhões.

 

No encontro, de acordo com o lobista, Capez sinalizou que queria dinheiro esfregando o indicador e o polegar. A propina foi dividida em R$ 450 mil para a campanha, 2% para Marcel, 2% para outro membro da Coaf e R$ 250 mil para ex-assessores do parlamentar.

 

Fonte: Hora do Povo

CPC-UMES Filmes lança “Tigre Branco” em abril

 

Em “Tigre Branco”, de lançamento inédito no Brasil, Shakhnazarov mescla filosofia e mistério numa batalha épica dos dias finais da 2ª Guerra Mundial entre o tanquista Naydenov e o Tigre Branco, indestrutível tanque alemão que surge e desaparece no combate como um fantasma.

 

Não perca essa oportunidade e compre já o seu pela internet!

 

TIGRE BRANCO

Karen Shakhnazarov (2012), com Aleksey Vertkov, Valeriy Grishko, Vitalyi Kiscenko, Karl Krantzkowski, Rússia, 104 min.

 

Sinopse:

Encontrado quase morto entre os destroços fumegantes no campo de batalha, o tanquista Ivan Naydenov tem uma recuperação surpreendente que desafia a capacidade de compreensão dos médicos. Mais misteriosa se torna a história quando ele revela que foi atingido pelo Tigre Branco, indestrutível tanque alemão que surge e desaparece por encanto, deixando um rastro de destruição e morte. Ligados por um elo sobrenatural, o homem e a máquina se empenham numa batalha que se projeta para além daqueles tempos.

"Tigre Branco" representou a Rússia na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2012.

 

Estudantes ocupam o Ipiranga contra escândalo da merenda

 

“Hoje (15) no Ipiranga e em São Paulo todos ficaram sabendo que os estudantes são contra esse governo que rouba merenda e corta da educação”, afirmou Lucas Chen, presidente do grêmio da ETEC Getúlio Vargas e diretor da UMES, durante a manifestação contra o roubo da merenda realizada na região central.

 

“Estamos aqui para exigir mais investimentos na educação. É inaceitável esse descaso com a escola pública que revela na verdade o tratamento destes políticos com a juventude. Descaso que levou ao roubo da nossa merenda para pagar propina. Um esquema que envolve o ex-chefe de gabinete da Secretaria de Educação de Alckmin [Fernando Padula] ou o atual presidente da Assembleia dos Deputados de São Paulo [Fernando Capez], que foi eleito na chapa de Alckmin”, denunciou Chen.

 

 

A manifestação teve início pouco depois das 7 horas da manhã, quando mais de 200 estudantes marcharam da ETEC GV em direção à escola Alexandre Gusmão e realizaram um jogral denunciando o esquema de corrupção envolvendo a merenda, o fechamento de mais de 1.500 salas de aula e também a direção da escola, que impediu a participação dos alunos na atividade.

 

Do Gusmão os estudantes partiram em manifestação até a escola Visconde de Itaúna, onde realizaram um ato que chamou a atenção pela participação dos estudantes do ensino fundamental dentro da escola, que cantavam palavras de ordem e das janelas empunhavam cartazes denunciando o roubo da merenda e o sucateamento da educação. Houve até alunos que levantaram cartazes pedindo “Fora Dilma, Fora Temer”, se referindo ao processo de impeachment conduzido pelo Congresso.

 

 

Durante a manifestação os estudantes cantaram diversas palavras de ordem. “Os estudantes de São Paulo já tomaram a decisão, eu quero minha merenda e mais educação”, ou “não tem arrego, você tira a minha merenda e eu tiro o seu sossego”.

 

Ao falar da manifestação, Chen disse que ficou muito emocionado com a interação dos estudantes do Gusmão e que vai garantir que estes estudantes participem da próxima manifestação. “O grêmio da GV estava querendo puxar um ato contra o escândalo da merenda. Aí decidimos organizar isso com a UMES, para fazer uma manifestação mais ampla e com mais força”.

 

 

Para ele é “inadmissível que na maior escola técnica da cidade [ETEC GV] os estudantes tenham merenda seca: uma vitamina, que é puro açúcar, e uma barrinha de cereal gordurosa”. Ele explicou que essa é a alimentação disponível para os estudantes do ensino técnico, do médio, ou mesmo para os estudantes do ensino integrado (médio em conjunto com o técnico), que ficam na escola durante dois períodos apenas com essa alimentação.

 

“O governo de São Paulo é um governo que quer destruir o Estado e os serviços públicos, assim como faz o governo federal. Em 2015 acabou com a água, levando a uma crise hídrica. Fez diversos cortes contra os serviços públicos, inclusive contra a educação e propôs o fechamento de escolas. Agora em 2016, seguiu cortando e já fechou milhares de salas além de estar envolvido com o roubo da merenda. Portanto é bom lembrar: quando saímos às ruas contra a ‘reorganização’ para fechar escolas tivemos uma vitória de muito peso. Agora não será diferente”.

 

 

A estudante Julizza Sena, que cursa o 3º ano do ensino médio na escola Oswaldo Cruz, disse que o envolvimento do grêmio nessas mobilizações é muito importante para envolver todos os alunos. “Com a participação do grêmio é mais fácil mobilizar os estudantes. Por isso precisamos unir todas as forças porque a merenda é uma obrigação do Estado com a juventude, e a educação deve vir em primeiro lugar, ao contrario do que fazem atualmente ao coloca-la no topo da lista dos cortes”. A estudante comentou que sua escola não tem mais dinheiro do Estado para merenda.

 

 

 

 

 

Escolas da zona sul vão às ruas contra o roubo da merenda

 

“Estamos convocando todos os estudantes da região sul para sair às ruas e se manifestar contra o roubo da merenda e o fechamento de nossas salas de aula. Estamos mobilizando diversas escolas e muitos grêmios estão envolvidos nessa luta”, comentou o vice-presidente da UMES, Tiago Cesar, sobre a manifestação dos estudantes da região sul contra o roubo da merenda.

 

“Os estudantes da zona sul estão organizados para denunciar todo e qualquer descaso com a escola pública”, comentou Keila Pereira, diretora da UMES pela região sul, durante jogral. “Por isso é essencial ocupar as ruas, principalmente porque além de querer fechar escolas o governo Alckmin faz o absurdo de roubar nossa merenda”. Para ela esse é o momento de afirmar a educação pública como prioridade, mas também para exigir a punição dos ladrões de merenda responsáveis por mais esse ataque contra a educação.

 

 

A manifestação teve início às 7 horas da manhã, quando dezenas de alunos marchavam pelas ruas da Cidade Dutra, ou mesmo enquanto outros pegavam ônibus de suas escolas, até a Avenida Senador Teotônio Vilela, onde realizaram um ato conjunto.

 

Os mais de 80 alunos se organizaram a partir das escolas Maestro Callia, Beatriz Lopes, Prof. Dr. Laerte Ramos de Carvalho, e José Vieira de Morais, na Cidade Dutra, em conjunto com a Nair Olegário Cajueiro, Prof. Eulália Silva, Eugenio Mariz de Oliveira Netto e José Lins do Rego, no Jardim Ângela. “Nessas e em muitas outras escolas da região estamos realizando, há semanas, panfletagens e debates sobre o escândalo da merenda”, explicaram os diretores da UMES.

 

O estudante Kaique Luna, da escola Maestro Callia, disse, durante o jogral na Avenida Senador Teotônio Vilela, que o roubo da merenda é um crime muito grave contra a juventude, porque é um esquema que demonstra claramente o compromisso do governo de São Paulo com a educação publica: “destroem a educação e roubam merenda para propina”. A liderança também denunciou o sucateamento das escolas e cobrou mais investimento para a educação.

 

 

Para a estudante Tais, também do Callia, há uma grande mobilização do governo para reprimir os estudantes que se levantam contra o roubo da merenda. Durante o Jogral ela afirmou que a direção das escolas foi orientada pelo governo à abafar o roubo da merenda. Para isso estão reprimindo e barrando tanto a mobilização de alunos e professores para impedir que se manifestem contra mais este crime. Nesse sentido Keila lembrou que na semana passada, durante outra manifestação na zona sul, a vice-diretora da E. E. Beatriz Lopes chamou a policia contra os estudantes que lutavam por educação de qualidade e contra o roubo da merenda. “Como uma diretora de escola, que pretende ensinar os jovens, pode adotar uma postura como essa? Ela inclusive ameaçou as chapas do grêmio e disse que o seu envolvimento nas manifestações será punido com a desclassificação dos estudantes do processo eleitoral”?