UMES realiza oficinas para o projeto “Liberdade ou Dependência? Drogas, tô fora!”

A comissão organizadora do projeto “Liberdade ou Dependência? Drogas, tô fora!” iniciou nesta semana a realização das visitas técnicas e oficinas que prepararão as atividades de conscientização sobre o uso de drogas pela juventude, que serão realizadas nas escolas públicas e privadas de São Paulo.

No dia 1º de outubro, os coordenadores e a diretoria da UMES visitaram a Clínica Viva, em Santos. No dia 2, a visita foi na clínica particular Maxwell, em Atibaia, que é considerada um modelo no tratamento de dependentes químicos. Na visita, os coordenadores conheceram um método diferenciado, criado pelo médico brasileiro Dr. Sabino Ferreira, onde pacientes, médicos e psicólogos convivem num ambiente que tem como princípio o compromisso com o coletivo, através de reuniões e atividades que retratam a vida na sociedade.

No dia 3 de outubro, a diretoria da UMES, lideranças estudantis e os coordenadores participaram de uma oficina com representantes do Ministério da Saúde para debater as ações referentes à campanha de prevenção ao uso de drogas.

Na oficina, Liliam Cherulli e June Scafuto, do Ministério da Saúde, e os coordenadores discutiram as atividades que serão realizadas nas 40 escolas já inscritas no projeto. Entre elas está aplicação de um questionário sobre a temática.

Além do formato do questionário, foi discutida também a realização dos cineclubes nas escolas, onde serão exibidos três filmes que servirão como base para o debate com os estudantes, a comunidade escolar e órgãos do governo convidados.

O presidente da UMES, Rodrigo Lucas Paulo, expôs as metas do projeto, destacando que o objetivo é conscientizar estudantes com ações de prevenção e combate ao consumo de drogas e formar jovens multiplicadores de ação do projeto.

Nesta segunda-feira, dia 7, a oficina terá continuidade com a presença da Dra. Maria de Fátima, doutoranda em Ciências da Saúde pelo Departamento de Psiquiatria UNIFESP, especialista em Dependência Química pela UNIFESP e psicóloga. Também estará presente a psicóloga Izilda Alves, coordenadora da Campanha Jovem Pan pela vida contra as drogas.

No dia 8, a oficina dá seguimento com a exibição e debates dos filmes: “A Guerra do Ópio”, “O Levante” e “Dias de Santiago”, que na segunda fase do projeto serão exibidos nas escolas.

O projeto “Liberdade ou Dependência? Drogas, tô fora!” aplicará 200 questionários por escola, totalizando 8.000 questionários. Após o levantamento da pesquisa, serão realizados 3 debates por escola reunindo 100 estudantes em sessões de cineclube, totalizando 4.000 participantes.

Um novo questionário avaliativo será aplicado e 10 estudantes de cada escola irão redigir uma redação acerca da temática, totalizando 400 redações. As três melhores serão premiadas em solenidade no Teatro Denoy de Oliveira.

 

Visita técnica realizada na Clínica Maxwell, em Atibaia

 

Oficina realizada com representantes do Ministério da Saúde

 

CINEMA NO BIXIGA – Sinopse do próximo filme: Mephisto

Neste sábado, 05/10, o Cinema no Bixiga apresenta o filme “Mephisto”. O filme inicia às 17 horas, no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista. Entrada franca!

 

MEPHISTO

István Szabó (1981), com Klaus Maria Brandauer, Krystyna Janda, Ildikó Bánsági, Rolf Hoppe, György Cserhalmi, HUNGRIA/ALEMANHA/ÁUSTRIA, 144 min.

 

Sinopse

Alemanha, 1931. Hendrik Höfgen é um ator ambicioso, cujo talento mediano não o impede de sonhar com a glória no teatro proletário. Com a ascensão de Hitler em 1933, sua esposa e muitos colegas deixam a Alemanha. Ele fica, e ao interpretar o papel de Mefisto no Fausto de Goethe consegue, com o empurrãozinho amigo de um general, membro do alto escalão nazista, sucesso e popularidade. A partir de então muito terá que conceder para que a fama não lhe escape entre os dedos.

 

Direção: István Szabó (1938- )

Diretor de cinema húngaro, nascido em Budapeste, István Szabó obteve grande reconhecimento internacional com “Mephisto” (1981), premiado em Cannes, no Oscar e na Academia Italiana de Cinema. A parceria com o ator austríaco Klaus Maria Brandauer repetiu-se com êxito em outros dois filmes da década de 80, “Coronel Redl” (1985) e “Hanussen” (1988), que receberam, respectivamente, o BAFTA da Academia Britânica e a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Szabó estudou na Academia de Teatro e Cinema de Budapeste, se formando em 1961. Começou como diretor assistente, passando a diretor principal do MAFILM Nonprofit Zat. Realizou diversos curtas e 18 longas, onde também se incluem “Pai” (1966), “Contos de Budapeste” (1976), dois vencedores do Urso de Prata do Festival de Berlim – “Confiança” (1980) e “Queridas Amigas” (1991) -, “Adorável Júlia” (2004) e “Atrás da Porta” (2012).

 

Argumento Original: Klaus Mann (1906-49)

Klaus Mann, filho do escritor Thomas Mann (Prêmio Nobel de Literatura em 1929), nasceu em Munique, Alemanha. Romancista, ensaísta e dramaturgo, começou a escrever contos em 1924 e no ano seguinte tornou-se crítico de teatro para um jornal de Berlim. Em 1932, publicou a primeira parte de sua autobiografia, que foi bem recebida até Hitler chegar ao poder. Como tantos outros, o escritor teve que fugir da Alemanha em 1933, juntando-se à família exilada na Suíça. Em novembro de 1934, foi destituído da cidadania alemã pelo regime nazista.  Durante a  2ª. Guerra Mundial, serviu como sargento no 5º Exército dos EUA. Entre suas obras estão: “Alexandre” (1929), “Sinfonia Patética” (1936), “Mephisto” (1936).

 

Música Original: Zdenkó Tamássy (1921-87)

Compositor nascido em Veszeny, Hungria, Zdenkó Tamássy escreveu a música de mais de uma centena de obras audiovisuais, entre filmes, telefilmes e séries de televisão. De sua parceria com o diretor István Szabó destacam-se as trilhas de “Contos de Budapeste”  (1976), “Mephisto” (1981), “Coronel Redl” (1985) e “Hanussen” (1988).

 

VEJA AQUI A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Veja o depoimento de artistas contra o leilão de Libra

Veja nos vídeos abaixo o depoimentos de artistas e músicos contra o leião de Libra. No último dia 3, um showmício no Rio de Janeiro reuniu diversos nomes da música brasileira contra o leilão.

 

► Beth Carvalho realiza Ato show dia 03/10 contra o Leilão de Libra!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

► Paulão 7 cordas contra o leilão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

► Paulo Betti: Campanha pelo Fim dos Leilões de Petróleo

 

 

Petrobrás é a alma do Brasil!

Veja abaixo vídeo que conta um pouco da história da Petrobrás, empresa que é um orgulho para todos os brasileiros. O vídeo foi feito em comemoração aos seus 60 anos e relembra momentos históricos da luta pela sua criação e a defesa do petróleo.

 

PETROBRÁS 60 ANOS – A ORIGEM DA INSPIRAÇÃO

 

 

 

 

Artistas dizem NÃO ao leilão do campo de Libra, no pré-sal

O show será apresentado por Paulo Betti e terá a participação de Noca da Portela, Jards Macalé, Wilson Moreira, Mariene de Castro, Paulão Sete Cordas e muitos outros

 

A consagrada cantora Beth Carvalho está fazendo uma ampla convocação, em vídeo, para o showmício que será realizado na próxima quinta-feira, dia 3 de outubro, às 16 horas, na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, contra o leilão do Campo de Libra, no Pré-Sal. Nesta data, a Petrobrás comemora 60 anos de criação. A empresa foi fundada por Getúlio Vargas em 1953, após a vitoriosa campanha “O Petróleo é Nosso” que mobilizou toda a sociedade brasileira pela criação da estatal de petróleo e para que o Brasil já naquela época não entregasse seu petróleo para as multinacionais.

Além da cantora, vários outros artistas populares, entre eles Paulo Betti, Noca da Portela, Paulão 7 Cordas, Jards Macalé, Wilson Moreira, Toninho Geraes, Mariene de Castro e outros, estão mobilizando a população contra o leilão e já confirmaram presença no ato. “Eu, Beth Carvalho, não posso deixar de falar para vocês que nós não podemos permitir que esse leilão aconteça”, afirmou a “madrinha do samba”, em vídeo gravado para mobilizar o Brasil em defesa do pré-sal e contra a sua privatização. O ato contra o leilão de Libra será apresentado pelo ator Paulo Betti, que recentemente também apresentou um vídeo onde denuncia o leilão como um crime contra o Brasil e contra a população brasileira.

Com o samba que ela já interpretou, “Xô, gafanhoto”, de Rubens da Mangueira, Ivan e Luiz Grande, como fundo musical, Beth Carvalho faz um alerta: “cuidado com o gafanhoto minha gente, tem muito por aí” – referindo-se às multinacionais do petróleo que estão de olho em nossas riquezas – e indaga qual a importância de uma empresa brasileira explorar o Campo de Libra? Ela mesma responde que com isso “nós podemos beneficiar a saúde, a educação do povo brasileiro”. “As petroleiras estrangeiras não vão fazer isso. Elas simplesmente vão pegar o petróleo, explorar e tchau e benção”, alertou.

“Outra coisa que eu quero falar para vocês é que para se descobrir essas jazidas de petróleo, nós brasileiros – que descobrimos o pré-sal – gastamos nosso dinheiro”, acrescentou Beth. “Então, você acha justo agora os estrangeiros pegarem isso?”, questionou. “Vamos mobilizar toda essa população para que [o governo ] não faça esse leilão de Libra”, conclamou Beth Carvalho.

Vários atos serão realizados em diversas capitais e estão sendo convocados pelo Comitê Nacional em Defesa do Petróleo e pelos respectivos comitês estaduais.

Paulão 7 Cordas também está mobilizando a população brasileira em defesa do pré-sal. “Libra é o maior poço de petróleo já descoberto, segundo as pesquisas de prospecção da Petrobrás”, lembrou ele em outro vídeo de convocação. “E eles estão querendo fazer um leilão no dia 21 de outubro para que outras empresas que não a Petrobrás venham explorar”, denunciou o músico. “Eu terei o maior prazer em estar nesse “show-ato” e conto com vocês para defendermos o nosso petróleo”, conclamou Paulão.

Em São Paulo o Comitê Estadual em Defesa do Petróleo também está convocando o ato contra o leilão de Libra para as 17 horas do dia 3 de outubro. A manifestação será em frente à sede da Petrobrás, na Avenida Paulista.

Às 19 horas será realizado um ato político na Assembléia Legislativa de São Paulo, por iniciativa do deputado Adriano Diogo, do PT. Nesta manifestação, os parlamentares, as lideranças sindicais e os movimentos sociais pretendem, além de comemorar os 60 anos da Petrobrás, exigir a suspensão do leilão de Libra. As lideranças do movimento defendem que o leilão não seja realizado e a área de Libra considerada de interesse nacional – o Campo de Libra é a maior descoberta de petróleo do mundo nos últimos vinte anos – seja entregue para a Petrobrás, como determina o artigo 12 da lei 12351/2010.

 

SÉRGIO CRUZ

Texto extraído da Hora do Povo – Edição 3.191

 

VEJA ABAIXO OS VÍDEOS:

 

► Beth Carvalho realiza Ato show dia 03/10 contra o Leilão de Libra!

► Paulo Betti: Campanha pelo Fim dos Leilões de Petróleo

Outra vez a fraude dos “75% da União” no leilão de Libra

Não é um erro de cálculo, é uma invenção

 

Durante a reunião conjunta, sobre o leilão de Libra, da Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, a senadora Vanessa Grazziotin repetiu várias vezes que “não há risco do Brasil, do Estado brasileiro, ficar do excedente com menos de 75%”. E quanto mais os conferencistas – Fernando Siqueira e Paulo Metri (v. matéria na página 3) – deixavam claro que isso é uma falácia, uma fraude grosseira, mais a senadora repetia a ladainha, impermeável a provas, raciocínios, elementares operações aritméticas  e outros predicados da convivência humana.

Com esse grau de racionalidade e desprezo pelo próprio pensamento, são algo inúteis as contestações – sobretudo em relação a quem defende a entrega do petróleo de Libra, apesar da espionagem da NSA sobre a Petrobrás, porque “não há nada que seja segredo” (sic) no leilão. Ou que acha que o Brasil (a Petrobrás) não tem condição de explorar Libra porque não tem dinheiro para investir.

Parece até que quem tem petróleo encontra alguma dificuldade para obter financiamentos. Só em 2012, a captação de empréstimos da Petrobrás foi US$ 20 bilhões (cf. Petrobras, “Relatório de Sustentabilidade 2012”, p. 94) e a necessidade anual de financiamento (captação bruta) da Petrobrás até 2017 é US$ 12,3 bilhões (cf. Petrobras, “Plano de Negócios 2013-2017”, p. 51).

O resto dos investimentos do quinquênio 2013-2017 (um total de US$ 236,7 bilhões, sendo US$ 147,5 bilhões em exploração e produção) virá dos colossais recursos próprios de uma empresa que, em 2012, teve um faturamento de R$ 281 bilhões e 379 milhões, um lucro líquido de R$ 20 bilhões e 959 milhões, com investimentos, no ano passado, de R$ 84 bilhões e 137 milhões (cf. Petrobras, “Relatório de Sustentabilidade 2012”, Informações Financeiras Consolidadas).

E nem falemos, para evitar desnecessárias urticárias, que o Tesouro poderá (e pode) reforçar o caixa da Petrobrás de acordo com as necessidades do país.

Entretanto, disse a senadora, “a explicação que tive, não tenho condições técnicas de dizer quem tem razão, (…) [é] que não há risco do Brasil, do Estado brasileiro, ficar do excedente com menos de 75%”. Se a senadora não tem “ condições técnicas de dizer quem tem razão”, deveria parar de repetir uma tolice e estudar mais – por exemplo, ouvir com mais atenção aqueles que entendem do assunto, pois, sobretudo no cargo que ocupa, é proveitoso distinguir a verdade da mentira. Porém, continuou repetindo a mesma coisa depois que o engenheiro Fernando Siqueira, uma renomada autoridade no tema, explicou que “quando o Governo diz que 75% do petróleo de Libra vão ficar com a União, não existe a menor possibilidade, porque 40% do petróleo já são para pagar os custos de produção; não pagam imposto de renda, inclusive. Quinze por cento dos royalties são devolvidos, pagam em dinheiro e recebem em óleo, e também não tem imposto de renda. Então sobram 45% para serem divididos. Qualquer que seja o percentual que incida sobre esses 45% nunca jamais vai chegar a 75%”.

É óbvio que os impostos não podem fazer parte da partilha da produção do petróleo – eles não são, como disse a senadora, um “ganho governamental”, mas um dever das empresas. Caso contrário, a sonegação seria o estado normal delas. Qualquer empresa paga (ou deve pagar) impostos, esteja no ramo do petróleo ou no ramo da transformação de manjuba em merluza.

Como mostrou Siqueira, no petróleo as isenções são espantosamente grandes. Tínhamos, na edição anterior, calculado a incidência de todos os impostos em 6 a 10%. Na verdade, como disse o vice-presidente da Aepet, 5 a 9% seria uma estimativa mais próxima da realidade.

Mas a senadora falou em “75% do excedente em óleo”. O excedente em óleo, ou “óleo-lucro”, é formado por: volume total da produção de petróleo menos custo de produção em óleo menos royalties (lei 12.351/2010, artigo 2º, inciso III).

No caso do pré-sal, o custo de produção calculado pela Petrobrás é US$ 40 por barril de petróleo. Se considerarmos o preço do barril = US$ 100, esse custo é 40%. Os royalties são 15%. Assim, o excedente em óleo é 100-40-15=45% do volume total da produção.

A ANP estabeleceu 41,65% como percentual mínimo do excedente em óleo para a União – e a ilegal tabela que acrescentou no edital do leilão permite que esse “mínimo” seja, inclusive, rebaixado. Como será que a senadora encontrou (ou acreditou, quando lhe contaram) que 75% ou mais desse excedente em óleo iria para a União, se é a própria que estabeleceu o mínimo de 41,65%?

Certamente, 41,65% de 45% são 18,74%. Somemos os royalties, que, segundo a filosofia do ministro Lobão, grande especialista em pensamentos inúteis para a Nação, seria uma “apropriação originária” (sic) em óleo das petroleiras, correspondente ao que pagaram em dinheiro (como uma apropriação secundária a um pagamento, ou seja, um ressarcimento, pode ser uma apropriação “originária”? Não sei, leitor, mas esta é a dialética do Lobão).

Mas, somemos os 18,74 com os 15 de royalties. Temos, então, 33,74%. Onde estão os 75%? Não é que o gato os tenha comido. É que eles não existem, por qualquer método de cálculo, inclusive os ilegais (se somarmos os impostos, também estaremos longe de 75%).

Não é um erro de cálculo, mas uma invenção, porque seus autores sabem que 41,65% para a União é um escândalo, já que “em países exportadores de petróleo, como Angola, Rússia e Venezuela, entre outros, a participação governamental é maior que 80%. Na China, a participação governamental é superior a 90%. Na Noruega, em 2009, o retorno do governo por barril foi de 85,5%” (Paulo César Ribeiro Lima, “Nota Técnica sobre receitas petrolíferas para as áreas de educação e saúde”, Consultoria Legislativa, julho/2013, p. 36 e 37). Assim, os 75% não correspondem a nenhum cálculo real, mesmo errado, mas a uma tentativa de esconder um roubo demasiado escandaloso.

Tudo isso é muito fácil de entender. No entanto, a senadora Grazziotin continuou insistindo: “a participação governamental mínima será de 75%, com 41,65% de oferta”.

Isso é o que dá acreditar no Haroldo Lima. Acaba-se passando, e em público, por asinino – e não pense a senadora que estamos sendo (como criticou no senador Requião em relação à diretora da ANP, Magda Chambriard) “indelicados para com uma mulher”. Pelo contrário, o que não suportamos é ver mulheres enganadas e induzidas a passarem por burras em público (aliás, nem em privado).

Mas a senadora também poderia ajudar um pouco a nossa campanha de promoção das mulheres e contra os preconceitos de que é vítima o lado feminino da sociedade. Não fica bem ela declarar, por exemplo, que “nunca eu ouvi ninguém do Governo dizer que um mínimo de 75% ficará para a União”.

É claro que ouviu: foi exatamente o que disse a diretora da ANP na sessão anterior das mesmas comissões – a senadora Grazziotin estava na presidência dessa sessão (v. HP 27/09-1º/10/2013).

Em seguida veio: “é óbvio, um mínimo de 75% do excedente óleo, tirando todos os custos operacionais, as despesas para o trabalho da extração – é isso que se diz”. Não é óbvio, não, até porque ninguém tinha dito ainda tal barbaridade – como o engenheiro Siqueira apontou na hora. Tanto Lobão, quanto Magda, quanto o diretor da ANP citado por Siqueira, todos se referiram a 75% do total, não do excedente em óleo.

A propósito, não é saudável considerar “óbvio” aquilo que “se diz”. Tem muito vigarista no mundo.

 

CARLOS LOPES

Texto extraído da Hora do Povo – Edição 3.191

Manifestações contra o leilão de Libra marcarão os 60 anos da Petrobrás, no dia 3

UMES convoca Caras-Pintadas a ocuparem a Paulista na quinta-feira

 

Neste dia 3 de outubro, quinta-feira, entidades dos movimentos sociais, centrais sindicais, entidades estudantis, movimento dos trabalhadores sem-terra, petroleiros, engenheiros, intelectuais, além de outros segmentos da sociedade irão comemorar os 60 Anos da Petrobrás com uma série de atividades e manifestações contra o leilão do campo de Libra, marcado para 21 de outubro.

A defesa do petróleo brasileiro e da Petrobrás é uma luta que não se separa da história do movimento estudantil brasileiro. Por isso, assim como os estudantes foram às ruas na campanha “O Petróleo é Nosso!”, vitoriosa com a criação da Petrobrás em 1953, a UMES, junto com a UNE e UBES, volta às ruas no dia 3 e convoca os Caras-Pintadas a barrar esse crime de lesa-pátria.

Em São Paulo, as entidades irão realizar uma manifestação em frente ao prédio da Petrobrás, na Avenida Paulista, 901. A concentração será às 17 horas. À noite, às 19 horas, também será realizado um ato no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de São Paulo.

No Rio de Janeiro, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) promove, juntamente com o Clube de Engenharia, CREA-RJ, Fisenge, Modecon, Senge, Sindipetro-RJ e Astape-Caxias, um Ato Público na sede do Clube de Engenharia. A sambista Beth Carvalho realiza um ato-show na Praça XV, no Rio, além de diversos outros artistas.

Além dos atos no dia 3, para as próximas semanas estão marcadas diversas outras mobilizações contra o leilão com passeatas e atos públicos.

 

 

TODOS À PAULISTA CONTRA O LEILÃO DE LIBRA!

Dia 3 de outubro – 60 anos da Petrobrás!

Horário: às 17 horas

 

 

VEJA MAIS:

 

 FUP: Leilão do pré-sal é um crime contra o desenvolvimento, a soberania nacional e as condições de trabalho

 Guilherme Estrella, descobridor do pré-sal: “Leiloar Libra é grave erro estratégico”

 Plenária dos movimentos sociais condena leilão de Libra

A burla à lei para entregar o pré-sal de Libra às múltis

► Senador Requião: “Nenhum país soberano, independente, leiloa petróleo já descoberto”

► Metri e Siqueira: A insegurança energética e o leilão de Libra

► Mais de 80 organizações pedem à Dilma suspensão do leilão do pré-sal

► Petrobras realiza Missão Netuno e finca bandeira brasileira no pré-sal

► Beth Carvalho realiza Ato show dia 03/10 contra o Leilão de Libra!

► Paulo Betti: Campanha pelo Fim dos Leilões de Petróleo

 

 

CINEMA NO BIXIGA – Sinopse do próximo filme: Nu Entre Lobos

Neste sábado, 28/09, o Cinema no Bixiga apresenta o filme “Nu Entre Lobos”. O filme inicia às 17 horas, no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista. Entrada franca!

 

NU ENTRE LOBOS

Frank Beyer (1962), com Erwin Geschonneck, Armin Mueller-Stahl, Krystyn Wójcik, Fred Delmare, Viktor Avdyushko, ALEMANHA, 124 min.

 

Sinopse

Em Abril de 1945, os exércitos soviético e americano avançam, vencendo a resistência das tropas nazistas. Aproxima-se o fim do III Reich. Neste momento é introduzida clandestinamente no campo de concentração de Buchenwald, no leste da Alemanha, uma criança de três anos trazida dentro de uma mala por um judeu polaco evacuado de outro campo. Para salvar a vida da criança, os prisioneiros formam à sua volta um muro de solidariedade, enfrentando o terror, a tortura – e a morte.

 

Direção: Frank Beyer (1932-2006)

Paul Frank Beyer nasceu em Turingia, Alemanha, estudou teatro na Universidade de Humbolt, transferindo-se depois para a cidade de Praga, onde cursou a FAMU (Escola de Cinema da Academia de Artes Cênicas). Graduou-se em 1957 como diretor de cinema, com o filme “Zwei Mutter” (“Duas Mães”). Desde 1958 trabalhou na DEFA (Deutsche Film Aktiengesellschaft), empresa cinematográfica da RDA. Dirigiu “Cinco Cartuchos” (1960), “Amor Invencível” (1962), “Nu Entre Lobos” (1963), “Carbide e Sorrel” (1964), “Traço de Pedras” (1965). A interdição deste último pela censura forçou Beyer a concentrar-se em trabalhos para televisão e teatro. Retornou às telonas, em 1974, com “Jacob, o Mentiroso”, ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim de 1975. Dirigiu também “A Estadia” (1982), “A Violação” (1989), entre outros.

De 1946 a 1990, a DEFA produziu cerca de 950 filmes, 820 animações, 5800 documentários e cine-jornais. Com a anexação da Alemanha Oriental, a empresa foi dissolvida, seus estúdios foram adquiridos pelo conglomerado Vivendi-Universal e o catálogo de filmes pela Progress Film-Verleih Gmbri. Fora da DEFA, Frank Beyer voltou à televisão e conseguiu realizar apenas um filme para cinema: “A Suspeita” (1991).

 

Argumento Original: Bruno Apitz (1900-1979)

O alemão Bruno Apitz é natural de Leipzig. Trabalhou como impressor gráfico, escreveu romances, contos, peças e roteiros de cinema. Seu livro “Nu Entre Lobos” foi traduzido para mais de 30 idiomas, tornando-se mundialmente conhecido.

Durante a 1ª. Guerra Mundial, Apitz cumpriu pena por discursar aos trabalhadores defendendo o boicote ao esforço de guerra. Em liberdade, ligou-se à Liga Espartaquista de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Entre 1928 e 1930 foi chefe de uma editora em Berlim. Presidiu a Associação dos Escritores Revolucionários Proletários, em Leipzig (1930-33). No ano seguinte foi encarcerado na penitenciária de Waldeheim, e, em 1937, enviado para Buchenwald, onde permaneceu por oito anos, até a saída dos últimos prisioneiros. Os fatos por ele vivenciados deram origem aos romances ”Nu Entre Lobos” (1958) e “Esther” (1959). Em 1976, publicou “O Arco-Íris”. Seu romance autobiográfico, “Latente”, foi lançado postumamente. De 1952 a 1979, atuou como dramaturgo na DEFA e escreveu dezenas de peças radiofônicas.

 

Música Original: Joachim Werzlau (1913-2001)

Filho de músico de orquestra, Joachim Werzlau desde jovem estudou piano e violino com o pai. Aos 15 anos, empregou-se na tradicional fábrica de pianos Blüthner, em sua cidade natal, Leipzig.

Em 1945, Werzlau ganha a vida como pianista em cinemas e escolas de dança e atua na Aliança Cultural para a Renovação Democrática da Alemanha. Entre 1949 e 1952, trabalha como crítico musical e compositor em rádios de Berlim. Daí transferiu-se para a DEFA, escrevendo as trilhas de dezenas de filmes, desde obras infantis, “Os Encrenqueiros” (Wolfgang Schleif, 1953), “Tinko” (Herbert Ballmann, 1957), a parcerias com os diretores Konrad Lobo – “Recuperação” (1956), “Lissy” (1958) – e Frank Beyer – “Duas Mães” (1957), “Amor Invencível” (1962), “Nu Entre Lobos” (1963), “Carbide e Sorrel” (1964), “Jacob, o Mentiroso” (1975). Entre suas criações figuram composições para orquestra, violino, esboços para piano, as óperas “Regina” e “Mestre Rockle”, e canções muito populares na Alemanha, como “Porque Somos Jovens” (1949).

ONG de FHC recebe dinheiro da Ford e especuladores de Wall Street para defender legalização das drogas

Matéria publicada na Folha de S. Paulo revela que ONG de FHC é financiada por grandes grupos norte-americanos. Veja a matéria abaixo:

 

Quem paga a conta?

 

O anúncio de que a Open Society, instituição de George Soros, iria cortar a subvenção a sites latino-americanos de reportagem acelerou a corrida por novas formas de financiamento. Doações de indivíduos e de empresas de tecnologia ganham força, mas podem trazer riscos ao jornalismo dos veículos.

Em abril, durante encontro de jornalismo no Texas, a Open Society Foundations (OSF), instituição mantida pelo investidor George Soros, patrocinador de campanhas democratas nos EUA e de bandeiras como a legalização da maconha, alertou uma série de sites latino-americanos de reportagem de que iria cortar a subvenção que lhes provinha. Entre os meios eletrônicos beneficiados listam-se o salvadorenho El Faro, o colombiano La Silla Vacía, o chileno Ciper e o brasileiro Agência Pública.

O apoio fornecido pela Open Society, em muitos casos realizado em paralelo ao da Fundação Ford, ambas sediadas em Nova York, ajudou a estabelecer uma rede on-line de jornalismo alternativo na região.

Com o anúncio do corte, ainda não concretizado, acelerou-se a corrida por outras formas de financiamento que permitam a sobrevivência dos sites. Os veículos passaram a procurar outras fundações, além de “crowdfunding” (mecanismo de financiamento direto, por indivíduos).

A Open Society foi formada por Soros em 1993, nos Estados Unidos, para coordenar ações que o investidor americano de origem húngara apoiou no período de transição do Leste Europeu para a democracia e o capitalismo. Com o tempo, diversificou seu campo de atuação para a América Latina e a África.

O advogado Pedro Abramovay, 33, ex-secretário nacional de Justiça (governo Lula), assume neste mês a direção da Open Society para a América Latina. Ele explica que a instituição passa por uma “grande reestruturação interna”. Os programas regionais, como o latino-americano, estão “ganhando força” em detrimento dos temáticos, como o programa de mídia, que vinha financiando os sites de jornalismo –não só na América Latina mas em outras áreas do globo, como o Leste Europeu.

Abramovay foi indicado para a fundação pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que preside a Comissão Global sobre Política de Drogas, “financiada em grande medida”, segundo o advogado, pela própria Open Society. Ele chegou a ser o secretário nacional de Políticas Antidrogas do governo Dilma Rousseff, mas deixou o cargo em poucos dias, depois de defender penas alternativas para pequenos traficantes.

A reestruturação e a escolha do diretor brasileiro apontam para a priorização do tema das drogas nas ações regionais da instituição. Além da aproximação com FHC e Abramovay, o próprio Soros se encontrou com Lula há quatro meses, quando o ex-presidente recebeu prêmio do International Crisis Group, organização nova-iorquina também financiada, em parte, pela Open Society.

Paralelamente, o fundo de investimento de Soros, baseado nas ilhas Cayman, passou a investir no setor brasileiro de comunicações, um ano atrás. O primeiro passo foi a aquisição da operadora de TV paga Sunrise, de São Paulo. O segundo, o lançamento, há um mês, da On Telecom, operadora que começa oferecendo acesso à internet de banda larga no interior paulista.

Questionado sobre os interesses comerciais de Soros no Brasil, Abramovay –lembrando ainda não ter assumido seu cargo na Open Society– diz ter sido informado de que “há uma política muito rígida de separação das coisas, para que não exista nenhum conflito de interesses”. Para tanto, a fundação vem buscando cada vez mais uma “governança própria, independente da vontade” do investidor.

 

DEMOCRATIZAÇÃO

Se a Open Society revê suas subvenções, cujos beneficiados incluem ainda organizações como o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, no Texas, e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Fundação Ford segue firme na área de “democratização da mídia”, que começou a se desenvolver na última década, segundo Mauro Porto, coordenador do projeto dedicado a “mídia e liberdade de expressão” na instituição.

Há mais de meio século no país, a Fundação Ford tem linhas tradicionais de doação, como direitos humanos e igualdade racial. “A área mais nova, que é de acesso à mídia, tem um portfólio de doações principalmente para organizações da sociedade civil”, diz ele. Além da Pública, do Centro Knight e da Abraji, lista o Coletivo Intervozes e o Observatório da Imprensa.

As subvenções seguem “dois eixos estratégicos: a necessidade de atualização do marco regulatório para as comunicações e o monitoramento de como os meios tratam determinadas temáticas”. Segundo Porto, o projeto surgiu há dez anos, quando a fundação avaliou ser “fundamental, para consolidação da democracia no Brasil, a democratização dos meios de comunicação”.

Questionado sobre as doações de mídia da Fundação Ford nos anos 50 e 60, que seguiam a política externa dos EUA, como relata o livro “The Cultural Cold War” (no Brasil, “Quem Pagou a Conta?”, Record, 2008), Porto responde que “certamente ocorreram erros na história” da instituição, mas agora ela “atua com a mais absoluta independência e transparência”.

A exemplo de Abramovay sobre a Open Society, ele afirma que a Fundação Ford é hoje mantida “única e exclusivamente pelo seu endowment'”, dotação de grande volume feita pela família Ford, cujos rendimentos financeiros sustentam “tudo o que a instituição faz ao redor do mundo e no Brasil”. Enfatiza que “a fundação não recebe dinheiro de nenhuma empresa nem de nenhum governo”.

 

AMEAÇA

A Fundação Ford, porém, não quer ser o sustentáculo da mídia alternativa na América Latina e, segundo Porto, “incentiva a que nenhum dos parceiros dependa dela”, o que representaria “ameaça à sustentabilidade e à independência financeira” dos meios apoiados pela instituição.

O problema é que no Brasil, acrescenta Pedro Abramovay, “falta cultura de doação”, tanto de fundações como de indivíduos. Nos últimos dois anos, fora do governo, Abramovay esteve à frente do site global Avaaz, de campanhas e petições, que não aceita financiamento de governos ou fundações, só “crowdfunding”. Com base na sua experiência, avisa que, junto aos brasileiros, não é tarefa fácil. “O Brasil tem o maior número de membros da Avaaz, está em primeiro lugar, com 5 milhões, mas em doações fica lá atrás.”

Natália Viana, da Agência Pública, que iniciou em agosto um programa de financiamento coletivo para reportagens, discorda. “Se fosse dois anos atrás, também teria essa visão, mas o fenômeno do crowdfunding’ no Brasil está muito forte, especialmente através do Catarse”, diz, citando o site escolhido pela agência para levantar recursos. “Há várias campanhas bem-sucedidas no Catarse.”

Ela apresenta dois argumentos contra “essa coisa de que brasileiro não doa”. O primeiro é que as experiências que já deram certo, aqui, seguem estratégia diferente daquela usada nos EUA. “Não é uma lógica de doar todo mês um valor para uma ONG, mas uma lógica de campanha mesmo. É o momento em que todos se juntam. Depois, passou. No Brasil, com o Catarse, tem funcionado.”

O segundo é o exemplo de outras organizações. “O Greenpeace já tem arrecadação muito grande no Brasil. E a Anistia Internacional reabriu no Rio depois de anos, apostando que dá para fazer fund-raising’ [levantamento de fundos].” Até a última quarta, segundo Viana, a Agência Pública havia levantado R$ 16 mil via Catarse –o valor salta para R$ 32 mil, com a decisão da fundação americana Omidyar (entidade filantrópica criada por Pierre Omidyar, fundador do site de leilões eBay, e sua mulher) de doar R$ 1 para cada R$ 1 real arrecadado. O objetivo é chegar a R$ 47,5 mil até o dia 20, quando acaba a campanha.

 

GIGANTES

Além de fundações e indivíduos, outros personagens têm surgido na subvenção ao jornalismo alternativo: os gigantes da tecnologia. Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa, confirma que o Google Brasil “financiou a ida de pessoas” ao Texas para o encontro de jornalistas em que foi anunciada a retirada de cena da Open Society.

Na conferência, que reuniu representantes de 12 sites jornalísticos latino-americanos, do México à Argentina, as ferramentas de mídia do Google, como o YouTube, foram apresentadas como alternativa de monetização. “O Google está começando a apresentar alguma coisa”, diz Castilho. “Mas está fazendo coisas pontuais. Não há um projeto de médio e longo prazo. Pelo menos até agora.”

A aproximação com o jornalismo começou no último ano, nos EUA, quando a empresa passou a patrocinar a série de conferências TechRaking, do Center for Investigative Reporting, organização americana voltada ao jornalismo investigativo. E não é só o Google que tem “se achegado aos jornalistas”, segundo Nick Winfield, do “New York Times”, que cita o site de classificados Craigslist e outros.

Para Winfield, a movimentação talvez se deva ao sentido de responsabilidade, até “culpa”, pela disrupção do jornalismo nos meios tradicionais. Na sua opinião, porém, “o dinheiro que as empresas de tecnologia estão gastando para apoiar o jornalismo pode ser visto de modo mais cínico: como investimento de relações públicas em uma indústria que se debate, mas ainda pode causar problemas ou, pelo contrário, favorecer seus interesses empresariais”.

Quaisquer que sejam as intenções dos financiadores, da parte dos sites sem fins lucrativos “o dilema é a sustentabilidade dos projetos”, alerta Castilho. “Não existe receita pronta para ser aplicada ou caso para ser copiado. Está todo mundo tentando, na base de erro e acerto. E provavelmente não haverá uma solução para todos.”

 

Fonte: Folha de S. Paulo 

A burla à lei para entregar o pré-sal de Libra às múltis

Entre as irregularidades, ANP não respondeu por que exigiu um “Operador A” no edital do leilão de Libra

 

Inquirida, pelo senador Pedro Simon, sobre a cadeia de ilegalidades (ver quadro abaixo) no tramado leilão do campo de Libra, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, não respondeu à seguinte questão: por que “a ANP estabeleceu no edital a exigência de ‘operador A’ para todos os consórcios concorrentes, [se] por lei, a Petrobras é a operadora única do pré-sal”?

“Operador A” (ou “operadora A” ou “licitante A”) é uma companhia credenciada a operar em águas profundas. Pela Lei 12.351/2010 (artigo 2º e 4º – ver quadro abaixo) só existe uma empresa operadora no pré-sal: a Petrobrás. No entanto, o ministro Lobão (portaria nº 218/2013) e a ANP, no edital do leilão, colocaram, como condição, que os consórcios candidatos ao campo de Libra devem ter obrigatoriamente, fora a Petrobrás, pelo menos uma “operadora A”.

Na resolução da 26ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realizada em 25 de junho de 2013, depois de mencionado o artigo 10º da Lei nº 12.351/2010, que permite ao ministro das Minas e Energia propor ao CNPE a participação mínima da Petrobrás (estabelecida, pelo ministro e pelo CNPE, no mínimo da lei, 30%), pode-se ler: “A indústria do petróleo possui empresas com capacidade técnica, econômica e financeira suficiente para responder pela parcela dos 70% restantes de modo a estimular a competição e garantir maior atratividade na licitação”.

O significado desta frase é, sobretudo, que outras empresas, não a Petrobrás, devem açambarcar e operar os 70% restantes do campo de Libra – o que é totalmente ilegal. Ou, de outra forma, que a Petrobrás não deve passar dos 30% mínimos que a lei determina, e que os restantes 70% devem ser operados por empresas estrangeiras (não existem outras empresas nacionais com essa qualificação) – o que é, repetindo, completamente ilegal.

A única empresa que necessita ter “capacidade técnica” em Libra, no pré-sal e em qualquer área petrolífera estratégica (objeto da Lei nº 12.351/2010) é a Petrobrás, porque ela é a operadora única e legal de todas as áreas e para todas as “atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção” de petróleo no regime de partilha de produção, instituído pela lei que mencionamos.

Sem contar que exigir outra “operadora A” também é exigir que os consórcios tenham, obrigatoriamente, empresas estrangeiras, é evidente que se pretende afastar a Petrobrás como operadora única do pré-sal, e das áreas estratégicas, e substituí-la por essa outra “operadora”. Certamente, os adeptos dessa vergonhosa tese entreguista podem propugnar por isso no Congresso – mas não têm o direito de enfiar no edital do leilão de Libra uma condição que é contra a lei.

Em seu depoimento no Senado, a srª Magda, como mostram as notas taquigráficas da sessão, não respondeu ao senador Simon. Ela sabe que a condição do edital (e da portaria de Lobão) é ilegal – e uma tentativa de golpe contra a lei do presidente Lula. Tem razão o senador quando afirmou que “esta exigência é descabida e cria uma ameaça”.

 

“MÍNIMO”

No quadro ao lado, o leitor poderá verificar as principais ilegalidades desse pretendido leilão do maior campo de petróleo do mundo. Não são as únicas. São algumas – embora, das maiores.

A Lei nº 12.351/2010 estabelece, em vários artigos (10º, 15º, 18º – v. quadro), que cabe ao ministro das Minas e Energia propor o percentual mínimo de petróleo que, na partilha, ficará com a União.

A primeira ilegalidade foi o estabelecimento do percentual supostamente mínimo em 41,65% (página 40 do edital). A antiga lei de concessões de Fernando Henrique, cujo fundamento explícito era o risco exploratório, estabelecia (artigo 50 da lei 9478/1997) uma “participação especial” a ser paga pelas concessionárias à União “nos casos de grande volume de produção, ou de grande rentabilidade”. Esta participação é de até 40% – é o que paga a Petrobrás nos seus poços mais bem sucedidos.

No caso do pré-sal – e, menos ainda, no campo de Libra – não existe risco exploratório. A Petrobrás, ao descobrir o petróleo e dimensionar preliminarmente as reservas, já eliminou o risco de não achar petróleo. Exatamente por essa razão, o presidente Lula, sob aprovação geral, após a descoberta do pré-sal, achou necessário elaborar uma nova lei para essas áreas sem risco exploratório.

No entanto, a ANP, com a cobertura do ministro Lobão, estabeleceu como percentual mínimo da União, sob a nova lei, o mesmo que a participação especial da antiga lei. Com isso, o leilão de Libra funciona, para todos os efeitos, como se estivesse regido pela lei tucana de concessões.

Evidentemente, se fosse para a União receber 40% do “óleo-lucro” ou “excedente em óleo” (= petróleo extraído menos os custos de produção), não seria necessária uma nova lei. Para isso, bastava a famigerada lei de Fernando Henrique. Logo, há uma flagrante ilegalidade: esse percentual, supostamente mínimo, é uma tentativa de passar por cima da lei nº 12.351/2010 e usar a lei anterior.

Entretanto, 41,65% não é, em absoluto, o “mínimo” que o edital reserva para a União. Na página 41 do edital, é introduzida uma tabela, cujos percentuais variam de acordo com o preço do barril de petróleo com a produção. Por essa tabela, a parcela de petróleo destinada à União pode variar de 14,8% (se a produção por poço for abaixo de 4.000 barris/dia e o preço abaixo de US$ 60 por barril) a 45,56% (quando a produção por poço for superior a 24.000 barris/dia e o preço estiver acima de US$ 170).

Estabelecer um percentual mínimo é, evidentemente, estabelecer um percentual fixo que seja o mínimo. Trata-se de um percentual fixo de petróleo (não de dinheiro) que decide a contratação ou o leilão. Nada tem a ver com o preço do petróleo ou com a produção diária num determinado momento. É apenas a parcela de petróleo que ficará com o país – e, reciprocamente, a parcela fixa que ficará com a petroleira ou consórcio. Caso contrário, não há percentual mínimo de petróleo ou o percentual mínimo de petróleo passa a ser uma fraude. Este é, precisamente, o caso – uma burla da lei.

Uma burla tão evidente que, pela tabela do edital, quando as condições são mais desfavoráveis, a União (isto é, o país) abre mão de 26,9% (mais de 1/4) de sua parcela em favor das petroleiras, enquanto que, quando as condições são mais favoráveis, as petroleiras abrem mão de apenas microscópicos 3,9% de sua parcela para a União. Como disse Simon, “o risco é todo da União. O consórcio é ressarcido de tudo”.

 

ROYALTIES

Evidentemente, se as petroleiras são ressarcidas pelos royalties que pagam à União, isso quer dizer que elas não pagam royalty algum. Como é normal, isto é inteiramente vedado pelo artigo 42, inciso I, § 1º da Lei nº 12.351/2010 (ver quadro).

Pois é esse ressarcimento ilegal que está no contrato de partilha – com a malandragem de substituir a palavra ressarcimento por “apropriação originária” (ver quadro, ponto nº 3), o que é mentira, pois, se essa apropriação “originária” é correspondente ao “volume correspondente (…) aos royalties devidos e pagos“, a apropriação não pode ser “originária” (isto é, anterior a qualquer pagamento ou recebimento), e, sim, um ressarcimento.

 

NACIONAL

Por último (e por enquanto), o artigo 12 da Lei nº 12.351/2010 determina que, em caso de interesse nacional, a Petrobrás deve ser contratada diretamente para a exploração dos campos de petróleo. Naturalmente, esse artigo existe porque não se pode esperar que empresas estrangeiras zelem pelo interesse nacional. Sobretudo em se tratando, muitas vezes, como no petróleo, de monopólios que não zelam nem pelos interesses nacionais de seu próprio país.

Assim, no caso do maior campo de petróleo do mundo, se esse não é um caso de preservação do interesse nacional – portanto, de contratação direta da Petrobrás – qual será o caso em que será necessário preservar o interesse nacional? O que só quer dizer que esse leilão é uma agressão aos interesses nacionais e à lei, que define, precisamente, o que fazer nesses casos.

 

 

 

CARLOS LOPES

Texto extraído da Hora do Povo – Edição nº 3.189