Mostra Contos de Resistência homenageia centenário do Professor Eduardo de Oliveira e leva a luta anticolonial às telas
A Mostra Contos de Resistência nasceu da vontade de trazer à luz os vários combates travados pelos povos negros ao redor do mundo. Trazemos, desde 2022, episódios da História já esquecidos ou acobertados pelo colonialismo, além de algumas obras de arte que apresentam o cotidiano negro mundo afora.
Nesta segunda edição, apresentamos duas joias do cinema brasileiro, os filmes “Chico Rei”, de Walter Lima Jr., e “Um é Pouco, Dois é Bom”, de Odilon Lopez, um dos pioneiros da cinematografia negra brasileira. O diretor senegalês Djibril Diop Mambéty traz suas cores africanas com os clássicos “Hienas”, “O Franco” e “A Pequena Vendedora de Sol”. O encerramento se dá com o belga “Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado”, relato violento sobre a infiltração dos países ricos na política africana, visando o saque de seus recursos naturais.
A sessão de abertura é uma homenagem ao centenário de Eduardo de Oliveira, professor, poeta e político, primeiro vereador negro de São Paulo e autor do Hino à Negritude, composição sancionada pela Presidência da República em 28 de maio de 2014. Profundo conhecedor e combatente do movimento negro, Professor Eduardo é também fundador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), entidade irmã da União Municipal dos Estudantes Secundaristas. A ele, dedicamos essa modesta programação.

PROGRAMAÇÃO
09/05 Sábado
18 horas CHICO REI (1985)
16/05 Sábado
18 horas HIENAS (1992)
23/05 Sábado
18 horas UM É POUCO, DOIS É BOM (1970)
30/05 Sábado
18 horas O FRANCO (1994)
A PEQUENA VENDEDORA DE SOL (1999)
06/06 Sábado
18 horas TRILHA SONORA PARA UM GOLPE DE ESTADO (2024)
SINOPSES
09/05/2026
CHICO REI
Dirigido por Walter Lima Jr. (1985), Brasil, 115 min.
Em meados do século XVIII, Galanga, rei do Congo, é aprisionado e vendido como escravo. Trazido da África num navio negreiro, recebe o nome de Chico Rei e vai trabalhar nas minas de ouro de um desafeto do governador de Vila Rica. Escondendo pepitas no corpo e nos cabelos, Galanga habilita-se a comprar sua alforria e, após a desgraça do seu ex-senhor, adquire a mina Encardideira, tornando-se o primeiro negro proprietário. Rico, ele associa-se a uma irmandade para ajudar outros negros a comprarem a liberdade.
O roteiro é baseado em poesias de Cecília Meireles e na tradição oral mineira bem como na memória do negro brasileiro.
16/05/2026
HIENAS
Dirigido por Djibril Diop Mambéty (1992), Senegal, 110 min.
Após 30 anos fora, Linguère Ramatou, uma mulher “tão rica quanto o Banco Mundial”, retorna a Colobane, aldeia que a abandonou quando jovem e agora amarga em pobreza. Ela promete ajudá-los com suas riquezas, porém, com uma condição: Draman Drameh, o respeitável comerciante da aldeia e antigo amante que traiu Linguère e a largou grávida aos 16 anos, precisa ser executado.
Clássico de Mambéty, o filme é uma adaptação da peça “A Visita da Velha Senhora” de Friedrich Dürrenmatt.
23/05/2026
UM É POUCO, DOIS É BOM
Dirigido por Odilon Lopez (1970), Brasil, 90 min.
Duas histórias. Dois contos. Em “Com um Pouquinho… De Sorte”, Jorge e Maria vivem os problemas de um novo casal que sonha em ter a própria casa e constituir família. Em “Vida nova… Por Acaso”, Magrão e Crioulo querem começar uma vida nova e acabam exatamente onde começaram.
A restauração digital em 4K de “Um É Pouco, Dois É Bom” é resultado de uma parceria entre Cinemateca Capitólio, INDETERMINAÇÕES e Mnemosine Serviços Audiovisuais, com incentivo da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre e apoio do Itaú Cultural. O processo de restauro foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, no Laboratório Mapa Filmes do Brasil/Link Digital.
30/05/2026 – Sessão Dupla
O FRANCO
Dirigido por Djibril Diop Mambéty (1994), Senegal, 46 min.
Marigo é um músico sem dinheiro mas de raciocínio rápido que sonha em recuperar seu instrumento, o Cangoma, confiscado de forma cruel pela proprietária do quarto onde vive após meses de aluguel atrasado.
Apostando tudo na loteria, ele passa a acreditar que a sorte pode finalmente abrir um caminho para a vida feliz cheia de música e cores em que ele sempre sonhou, sem humilhações e absurdos da sua vida sofrida. Entre humor e desespero, Marigo atravessa Dacar carregando a esperança como único bem seguro, enquanto o filme revela como a lógica do capital se infiltra dos menores gestos até as maiores construções.
A PEQUENA VENDEDORA DE SOL
Dirigido por Djibril Diop Mambéty (1999), Senegal, 45 min.
Em Dacar, vender jornais nas ruas é um território dominado por meninos, até que Sili, uma jovem com deficiência física e determinada, decide desafiar essa ideia. Aos empurrões, xingamentos e desconfiança, ela descobre um mundo onde cada moeda e cada manchete revelam as camadas de desigualdade, exploração e sobrevivência, mostrando como a imprensa, a rua e as pessoas que a habitam moldam a vida de uma sociedade, tudo filtrado pelo olhar sensível de uma criança, fazendo com que o público percorra cada descoberta ao seu lado, como se também estivesse presente nas ruas ao seu redor.
06/06/2026
TRILHA SONORA PARA UM GOLPE DE ESTADO
Dirigido por Johan Grimonprez (2024), Bélgica, França e Países Baixos, 150min.
Em 1960, 16 países africanos recém-independentes ingressaram nas Nações Unidas, deslocando o voto majoritário das potências e dos EUA para o Sul Global. O Congo, de Patrice Lumumba, se torna o campo de batalha pela influência na ONU. O Departamento de Estado dos EUA entra em ação, enviando o embaixador do jazz Louis Armstrong ao Congo para desviar a atenção do golpe apoiado pela CIA. Abbey Lincoln e Max Roach invadem o Conselho de Segurança, Nikita Khrushchev bate com o sapato, formando a trilha para um iminente golpe de Estado.
O documentário foi inteiramente montado com imagens de arquivo e conta uma história urgente que ressoa mais do que nunca na atualidade.


